Cristine Pieske

Kraw PenasMoreira: ‘‘Valor da indenização é pequeno se comparado ao sofrimento’’Mais de 200 famílias de ex-presos políticos do Paraná entraram com pedidos de indenização contra o Estado por danos físicos e morais sofridos durante o período de ditadura militar. As indenizações, que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil, estão sendo oferecidas pelo governo estadual com base na lei 11.255, que determinou o pagamento às pessoas que tenham sofrido invalidez permanente ou parcial, transtornos psicológicos ou qualquer tipo de lesão física entre 1961 e 1979.
O prazo para ajuizar o pedido de indenização terminou ontem, e as primeiras famílias beneficiadas deverão receber os valores a partir do dia 10 de abril. Inicialmente, a Comissão Especial de Ex-Presos Políticos imaginava receber no máximo 160 pedidos, e acabou surpreendida com a grande procura. ‘‘Não imaginávamos que tantas pessoas teriam disposição para lutar pelos seus direitos’’, afirma o ouvidor geral do Estado e presidente da Comissão, João Elias de Oliveira.
Entre as pessoas que deram entrada no processo indenizatório, apenas cinco são viúvas de ex-presos políticos. Nos outros casos, os próprios ex-presos compareceram pessoalmente ou enviaram representantes.
O advogado e ex-industrial Ubirajara Moreira, de Curitiba, foi um dos primeiros a pedir a indenização ao governo. Para ele, que passou mais de dois anos preso apenas porque era simpatizante de um partido de esquerda, a lei permite a reparação moral das pessoas que sofreram torturas políticas. ‘‘O valor monetário da indenização acaba sendo pequeno se comparado ao sofrimento que todos nós tivemos’’.
Hoje, aos 75 anos, Moreira ainda chora quando relata a pressão psicológica e os maus tratos que recebeu na cadeia. ‘‘Éramos constantemente ameaçados de morte e ficávamos o tempo todo algemados, até quando íamos ao banheiro’’, conta. O ex-industrial diz que até hoje ainda ouve gritos e acorda assustado no meio da noite. ‘‘Se não fosse a ditadura, minha vida teria sido muito diferente’’,diz.

mockup