Indefinição favorece conflito armado
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sábado, 07 de dezembro de 1996
Paulo Pegoraro<br>Sucursal de Cascavel 
A superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, considera inadiável uma solução para a Fazenda Pinhal Ralo, de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel), porque são flagrantes os riscos de conflitos entre as 1.800 famílias de sem-terra que ocupam a fazenda desde abril e funcionários da empresa proprietária, a Giacomet-Marodin. Maria de Oliveira vistoriou a área quarta-feira, viu pessoas armadas e foi informada de que horas antes o sem-terra Darci Bittencourt, 41 anos, havia sido baleado (com ferimento superficial) e seu filho, Vanildo, 16 anos, espancado em conflito com funcionários.
Em entrevista à Folha por telefone, a superintendente do Incra explicou que a desapropriação de 16,7 mil dos 47 mil alqueires da fazenda, ofertados pela Giacomet-Marodin logo depois da ocupação, depende exclusivamente de acordo com relação ao preço. A negociação é centralizada em Brasília, entre o ministro extraordinário da Política Fundiária, Raul Jungmann, e diretores da empresa, que já realizaram várias reuniões. A Giacomet-Marodin quer R$ 32 milhões pela área, quase o dobro do que o Incra avaliou como valor real. Também há discordância em relação a uma parte da propriedade com cobertura florestal, pela qual a empresa quer receber pagamento.
Segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Roni Chiochetta, o impasse na negociação faz com que seja preparado o início do plantio da safra de verão em uma área de 2,5 mil hectares mecanizados, exatamente onde os sem-terra já estão plantando.
Roni Chiochetta afirma que a disposição de iniciar o plantio tem também o sentido de não permitir que eles insistam na história de que era uma terra sem produção. Maria de Oliveira acha que a empresa não colocará em prática o plantio, mas para evitar novos incidentes pediu aos sem-terra que se mantenham por alguns dias sob a lona preta.
Agora não é hora de disputar plantio, mas de acertar o preço, disse. O presidente do Incra, Nestor Setter, esteve ontem em Curitiba, mas não teria tratado da Fazenda Pinhal Ralo.


