A série de vistorias do Incra em propriedades do Noroeste do Estado foi iniciada ontem pelas fazendas São Sebastião (município de Santa Cruz do Monte Castelo) e São João (Porto Rico). As duas áreas pertencem a Sidnei Pedro Assunção Vieira.
O trabalho de recadastramento tem o objetivo de identificar áreas passíveis de desapropriação para o assentamento de 1.500 famílias de trabalhadores sem-terra que estão em áreas invadidas na região. A superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, confirmou ontem à Folha a disposição de não vistoriar áreas invadidas pelos sem-terra.
Duas equipes do Incra, formadas por engenheiros agrônomos, topógrafos e técnicos da área de cadastro, usaram equipamentos de última geração, como o GPS, que capta sinais de satélites para demarcar com precisão as propriedades.
A superintendente acompanhou os trabalhos de campo realizados na fazenda São Sebastião. As vistorias fazem parte do programa de recadastramento que o Incra pretende realizar até o próximo dia 30 de novembro, na região Noroeste. Ao todo, deverão ser vistoriadas 631 propriedades, que somam 425 mil hectares, em 34 municípios da região.
Até ontem, o Incra já tinha notificado proprietários rurais dos municípios de São Pedro do Paraná, Porto Rico, Jardim Olinda e Santa Cruz do Monte Castelo. Para fazer o recadastramento, o Incra abriu em Paranavaí uma subsede do órgão. Seis equipes estão trabalhando na demarcação das propriedades rurais. Na subsede ficam mais cinco profissionais, responsáveis pela parte administrativa do recadastramento.
Os equipamentos usados pelo Incra permitem que uma propriedade seja vistoriada em um dia. Em 10 dias, todo o relatório sobre a produtividade da área estará pronto.
Dois sistemas diferentes de satélites estão sendo utilizados para o levantamento das propriedades. O primeiro produz imagens da área, cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos (SP), permitindo avaliar o uso da terra. O Incra vai solicitar imagens das épocas de plantio e colheita.
O segundo sistema produz sinais, permitindo a demarcação topográfica do imóvel. Para receber estes sinais, o Incra tem, na região de Paranavaí, seis equipamentos GPS, que são distribuídos em diversos pontos das propriedades rurais. Segundo ela, o grau de precisão da tecnologia utilizada neste processo de recadastramento, é alto.
Além das informações via satélite, os técnicos também estarão avaliando dados fornecidos pelos proprietários sobre o cutivo da área, número de funcionários e relação das benfeitorias existentes nas propriedades. ‘‘As imagens produzidas via satélite nos mostram o uso da área, mas nossos técnicos agrônomos farão um levantamento para saber se a produtividade é compatível’’, explica Maria de Oliveira.
Se, ao ficar pronto, o relatório concluir que a área é improdutiva, o processo de desapropriação será montado. O Incra também deverá negociar a compra de imóveis produtivos, caso os proprietários estejam interessados em vendê-los. ‘‘Adquirir imóveis pagando preço de mercado é uma das alternativas que o Incra pretende utilizar para agilizar o processo de reforma agrária no Paraná.’’

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