Incra vai retirar 700 famílias da área
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoQuestão delicadaSuperintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, examina mapas com a divisão fundiária da fazendaCerca de 700 das 1.600 famílias de sem-terra acampadas na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel), terão que deixar o local. É que a área desapropriada pelo Incra é suficiente apenas para o assentamento de 900 famílias. Ontem, a superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, visitou o acampamento e iniciou o processo de escolha das famílias que serão retiradas.
Maria de Oliveira reconheceu que a questão é delicada. Além da exclusão de famílias da área, ela admitiu que não há outro local, mesmo provisório, para colocar as famílias excedentes.
Conforme decreto da presidência República assinado em janeiro, foram desapropriados 16,9 mil hectares dos 47 mil hectares da Fazenda Pinhal Ralo - parte dos 83 mil hectares de terras da empresa Araupel (ex-Giacomet/Marodin) na região. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) reivindicava a desapropriação de toda a fazenda para assentar igualmente todas as famílias.
Mesmo assim, em abril do ano passado cerca de três mil famílias ocuparam a propriedade, na maior invasão já ocorrida no País. Com o passar dos meses, o número foi sendo reduzido, permanecendo apenas as que estavam dispostas a aguardar o tempo necessário para serem assentadas.
Dos 16,9 mil hectares, no máximo 12 mil poderão ser efetivamente utilizados para agricultura. O restante é área de preservação, segundo estudo técnico feito pelo Incra, Emater e órgãos ambientais do Estado. Maria de Oliveira relatou que a seleção das famílias que permanecerão deverá ser feito em 15 dias. A responsabilidade da escolha é do Incra, órgãos do governo estadual, prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu e MST.
Eu sempre alertei aos acampados que não deveriam alimentar a ilusão de que todos ficariam, observou Maria de Oliveira, preocupada com o fato do Incra não ter estoque de terras para instalar os excedentes. O órgão dispõe de 40 mil hectares já destinados a 2,3 mil famílias acampadas em todas as regiões. Ela informou que há cerca de nove mil famílias acampadas em cerca de 70 propriedades ou em beira de estradas esperando assentamento.
Uma das possibilidades apontadas pelo Incra para evitar que famílias retiradas da Pinhal Ralo ocupem margens de rodovias ou promovam novas invasões, segundo Maria de Oliveira, é de que elas fiquem temporariamente em espaço reduzido na própria fazenda, onde possam produzir para sobrevivência até que haja possibilidade de assentamento em outro local. Isso porém, lembrou a superintendente, depende da concordância das 900 famílias selecionadas para permanecer na Pinhal Ralo.


