Incra vai punir dois acampados
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Londrina 
A superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Maria de Oliveira, garantiu ontem que o processo de desapropriação da fazenda Cacique, região de Tamarana, está concluído e será enviado hoje para Brasília (DF). Ela ressalvou, no entanto, que os dois membros do acampamento - identificados apenas como José Alexandre e Cerestiel - que fizeram reféns cinco funcionários do Incra na última sexta-feira, serão excluídos do processo de reforma agrária no Paraná. Eles fecharam a PR-445 e fizeram os reféns em protesto contra a demora para a solução do acampamento. Não aceito este tipo de atitude. Não estamos brincando nem parados, portanto não existe motivo para que façam isso, criticou.
Sobre a nova ocupação na fazenda Borborema, também em Tamarana, no final da semana passada, a superintendente do Incra disse que não pode fazer nada, já que o processo está na Justiça. O máximo que a gente pode fazer é pedir para que eles saiam da fazenda pacificamente, lamentou Maria de Oliveira.
A esposa de um dos acampados em Borborema, Madalena das Graças Meneses, disse ontem por telefone que as famílias resolveram voltar para a propriedade porque já teria terminado o acordo feito com o Incra, na última ocupação, com prazo de 15 dias para que a situação fosse resolvida.
Maria de Oliveira, ao contrário, afirmou que o prazo foi dado pelos próprios sem-terra e que seria impossível em 15 dias ter uma decisão judicial. Ela lembrou ainda que o Incra já deu parecer indicando que a propriedade era improdutiva, com aval tanto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) quanto do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Já o engenheiro de pesquisa do Iapar Adelar Antônio Motter esclareceu ontem que o instituto apenas emitiu análise sobre o tipo de grama que há no local. O parecer nosso é que é uma planta nativa; e que para solos de pastagens há outras espécies mais apropriadas. Mas não classificamos como invasora pura e simplesmente, esse conceito é relativo.
A família proprietária da área - que contestou o laudo do Incra na Justiça - garante que a terra é produtiva e que, inclusive, já existe parecer neste sentido do perito nomeado pelo juiz federal que cuida da ação. Salma Burihan Delalibera, filha do proprietário Chafic Burihan, morto em outubro, aponta ainda que na fazenda, de cerca de 300 alqueires, estão sendo plantados milho e sorgo, além de soja. Também tem no local, segundo ela, 1,2 mil cabeças de gado. (Lúcio Horta)


