Depois de 15 horas de negociação os sem-terra que ocuparam a Fazenda Santo Antônio, em Teixeira Soares (20 quilômetros de Ponta Grossa), firmaram acordo com o Incra e resolveram deixar a área invadida. Os integrantes do MST saíram da fazenda depois que Osvaldo Aranha, representante do Incra, assinou um termo de compromisso com os sem-terra e a proprietária da área, Maria da Luz Alves de Araújo Viana, garantindo que a desapropriação será efetuada dentro de 20 dias.
Os sem-terra deixaram a Fazenda Santo Antônio depois das 23 horas de anteontem, voltando para um acampamento provisório em uma área a 10 quilômetros do local da invasão. Os policiais do 1º BPM de Ponta Grossa e do Pelotão de Choque da Polícia Militar de Curitiba, que estavam preparados para efetuar o despejo, acabaram ajudando os sem-terra no retorno ao acampamento de origem.
Roberto Baggio, coordenador do MST no Paraná, também participou das negociações e considerou o acordo com o Incra uma vitória para o movimento, uma vez que além da Santo Antônio, também será desapropriada a Fazenda Guaraúna, pertencente à mesma proprietária. Nessas duas áreas, que compreendem aproximadamente 3,2 mil hectares, devem ser assentadas mais de 200 famílias.
Essa foi a primeira grande ocupação do MST na região de Ponta Grossa, que no passado foi conhecida como um dos berços da União Democrática Ruralista (UDR). Valdecir Antônio Mendes da Silva, segurança da fazenda ferido no confronto com os sem-terra, foi operado e passa bem. A 13ª Subdivisão Policial abriu inquérito para apurar a autoria dos tiros que atingiram Valdecir.
O delegado Marcus Vinícius Sebastião disse que intimou Silva a prestar depoimento e ouvirá os outros funcionários da fazenda antes de começar a ouvir os sem-terra. Segundo o delegado, Silva deverá ser ouvido hoje. ‘‘Ele, que foi ferido, é a peça principal, já que nenhuma arma foi apreendida no local, seja com sem-terra ou com seguranças’’, afirmou.

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