O Incra deve assentar ainda este ano parte das 360 famílias de sem-terra que estão acampadas à margem da BR-277, nas proximidades de Ibema (53 quilômetros a leste de Cascavel). O assentamento foi discutido ontem em reunião entre representantes do órgão e dos lavradores, na Unidade Avançada do Incra, em Cascavel. O Incra acha possível assentar 180 famílias, e estudará a situação das demais, com possibilidade de que sejam assentadas no próximo ano.
A negociação é um dos resultados da pressão exercida pelos sem-terra. No início da semana, eles marcharam do acampamento para a cidade de Ibema, e se concentraram na frente da prefeitura para pedir atendimento nas áreas de educação, saúde e alimentos, e forçar encontro com representantes do Incra. O prefeito Adelar Arrosi (PDT) chegou a fechar a prefeitura por um dia, alegando que ela poderia ser ‘‘invadida’’ pelos sem-terra.
A prefeitura apenas se comprometeu a custear o transporte de alimentos vindos de assentamentos de ex-sem-terra, que contribuem com os não-assentados, para o acampamento da BR-277. A questão do assentamento foi tratada especificamente com o Incra, na reunião de ontem, com seis representantes das famílias. Segundo o chefe da Unidade Avançada, eles disseram que há cerca de 360 famílias no acampamento - antes, para efeito público, diziam que eram 600.
Um levantamento que deve ser completado ainda hoje indicará o número exato de pessoas que precisarão de terra - além de alimentos, que também serão pedidos ao programa Comunidade Solidária, do governo federal. Valdir Dorini relata que o Incra ‘‘não tem estoque de terras no Paraná, mas não deve haver dificuldades para obtê-las’’.
O Incra dispõe de terras no Pará, mas só pequena parcela dos acampados aceita ir para aquele Estado. O prefeito de Ibema, que chegou a se dizer ameaçado de sequestro pelos sem-terra, sugere o Pará aos lavradores. ‘‘Aqui, em Ibema, não há nada que possa ser feito por eles’’, afirmou o prefeito, por isso questiona a presença dos sem-terra nas imediações da cidade. ‘‘Tem muita terra improdutiva por aqui mesmo’’, contestou Márcio Reisner, coordenador do acampamento.

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