Da Sucursal

Gustavo CoutoAssentamentoFazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu, hoje, um ano após a invasão de 1.650 famílias de sem-terra: futuro agora está nas mãos do IncraDepois de um ano da maior ocupação promovida pelo Movimento Sem Terra no Paraná, na fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (no sudoeste do Estado), por 1.650 famílias de trabalhadores sem-terra, o Incra foi comunicado no fim da semana passada sobre a imissão de posse concedida ao órgão pela Justiça.
A fazenda, com área total de 83 mil hectares de propriedade da madeireira Giacomet-Marodin, foi invadida no dia 17 de abril do ano passado. A imissão de posse para fins de reforma agrária foi concedida ao Incra para os 16.892 hectares da área, que a empresa se dispôs a vender para o Incra, depois de longo período de negociação.
O pedido do Incra para desapropriação de uma área no local é embasado em vistoria técnica feita pelo órgão que aponta se a área é produtiva ou não. Em seguida ao pronunciamento da Justiça, o Incra é liberado para planejar o projeto de assentamento.
Enquanto não se iniciam os estudos técnicos de viabilização da fazenda Pinhal Ralo, o Incra permitiu aos sem-terra o plantio de lavouras de subsistência, em aproximadamente 2 mil alqueires de área, de onde estão sendo colhidas 150 mil sacas de milho este ano.
Outra áreaA superintendente do órgão, Maria de Oliveira, admite que todas as famílias que estão na Pinhal Ralo não serão absorvidas pelo projeto de assentamento em função das restrições ambientais.
Ela antecipou que já está negociando uma outra área da própria Giacomet-Marodin na região, para assentar todas as famílias remanescentes da área ocupada. O coordenador do MST da região Centro, Laureci Leal, disse que a área liberada pela Justiça é insuficiente para atender a todas as famílias que estão na Pinhal Ralo. Por isso, a reivindicação do MST é a desapropriação de uma área maior na própria fazenda.
Segundo Leal, o Incra já fez nova vistoria, concluída em 15 de março, e a expectativa do MST é de que mais 7 mil ou 10 mil hectares dentro da fazenda sejam desapropriados. O desfecho depende de negociações entre o Incra e os proprietários da fazenda, que estão em andamento.
AssentamentoO Incra convocou uma reunião com a participação de órgãos como IAP, Ibama, Emater e Seab, que irão elaborar um laudo técnico para orientar a ocupação considerando a área que poderá ser destinada para exploração econômica, de preservação ambiental (que deve obedecer o limite de 20%), e o que poderá ser plantado.
São critérios que devem ser previamente avaliados para que não seja inviabilizado o assentamento, salientou Maria de Oliveira. Ela acredita que os estudos deverão ser iniciados nos próximos dias, devendo se estender por aproximadamente três meses.

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