Albari RosaMilton Seligman: ‘‘Apesar desses prazos às vezes demorados, os processos de assentamento devem respeitar a lei, com ordem e paz’’A desapropriação de 48 áreas no Paraná é uma das possibilidades com a qual trabalha o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O presidente do órgão, Milton Seligman, defendeu ontem a neutralidade do poder público dentro do processo de reforma agrária para garantir o assentamento de 280 mil famílias até o final do governo Fernando Henrique Cardoso.
Seligman esteve ontem em Curitiba para discutir com os 28 superintendentes do órgão a implantação de um programa de capacitação profissional. Para o presidente do Incra, a demora para assentar as famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deve-se ao processo de desapropriação, que depende de prazos legais da Justiça, e às negociações para compra das áreas. ‘‘Apesar desses prazos às vezes demorados, os processos devem respeitar a lei, com ordem e paz’’, disse.
O novo superintendente do Incra no Paraná, Petrus Emile Abi-Abib, disse que o órgão mantém uma postura neutra no Estado, e que as acusações dos ruralistas sobre a parcialidade do Incra em relação ao MST ‘‘não correspondem à realidade’’. Abib disse que, com sua posse como representante do Incra no Paraná, não muda a política do órgão, mas apenas a condução administrativa.
Como metas Abib estabeleceu para o ano de 1998 o assentamento de 6 mil famílias, e o desejo de se ‘‘afinar’’ com os ruralistas e o MST. ‘‘Vou chamar os proprietários para mostrar que o Incra é imparcial’’, disse Abib. As metas do novo superintendente são ousadas, pois hoje existem 6,2 mil famílias para serem assentadas no Paraná. Por seu projeto, o problema fundiário estaria praticamente resolvido no Estado.(G.V.)

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