Incra nega retirada de madeira na Pinhal Ralo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Curitiba 
O Incra vai recorrer da multa que recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) por causa do desmatamento constatado na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu. A superintendente Maria de Oliveira apresentou ontem laudos mostrando que não houve retirada de madeira na área do assentamento. Ela acusou o Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de irresponsabilidade e disse que a multa é fruto de perseguição política.
Maria de Oliveira apresentou dois documentos, entre eles um laudo de vistoria (datado de 10 de dezembro de 1996 e assinado por técnicos do Ibama e Incra) concluindo que a antiga proprietária da área (a Giacomet-Marodin, hoje Araupel) não respeitou o plano de manejo florestal e seria, portanto, a responsável pela devastação da área. Mostrou também o mesmo laudo apresentado por Ibama e IAP para justificar a multa de R$ 4.960,00, aplicada também à Araupel e aos sem-terra que ocupam a área.
O laudo ressalta que os sem-terra não retiraram madeira, mas apenas uma área de taquaral, sem comprometimento da cobertura florestal, disse. Segundo ela, o respeito à reserva florestal e às áreas de preservação permanente das fazendas desapropriadas é uma exigência que consta dos contratos de assentamento.
O superintendente regional do Ibama, Jonel Iurk, e o presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, disseram que mantêm a acusação contra o Incra e refutaram a interprretação de que há interesses políticos no caso. Estipulamos que o aproveitamento da fazenda estava condicionado ao licenciamento ambiental. O Incra concordou, mas não cumpriu, disse Iurk.


