O Incra vai recorrer da multa que recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) por causa do desmatamento constatado na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu. A superintendente Maria de Oliveira apresentou ontem laudos mostrando que não houve retirada de madeira na área do assentamento. Ela acusou o Ibama e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de ‘‘irresponsabilidade’’ e disse que a multa é fruto de ‘‘perseguição política’’.
Maria de Oliveira apresentou dois documentos, entre eles um laudo de vistoria (datado de 10 de dezembro de 1996 e assinado por técnicos do Ibama e Incra) concluindo que a antiga proprietária da área (a Giacomet-Marodin, hoje Araupel) não respeitou o plano de manejo florestal e seria, portanto, a responsável pela devastação da área. Mostrou também o mesmo laudo apresentado por Ibama e IAP para justificar a multa de R$ 4.960,00, aplicada também à Araupel e aos sem-terra que ocupam a área.
‘‘O laudo ressalta que os sem-terra não retiraram madeira, mas apenas uma área de taquaral, sem comprometimento da cobertura florestal’’, disse. Segundo ela, o respeito à reserva florestal e às áreas de preservação permanente das fazendas desapropriadas é uma exigência que consta dos contratos de assentamento.
O superintendente regional do Ibama, Jonel Iurk, e o presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, disseram que mantêm a acusação contra o Incra e refutaram a interprretação de que há interesses políticos no caso. ‘‘Estipulamos que o aproveitamento da fazenda estava condicionado ao licenciamento ambiental. O Incra concordou, mas não cumpriu’’, disse Iurk.

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