Incra inicia vistoria na Pinhal Ralo
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Gustavo CoutoHora da verdadeVista geral do acampamento, na divisa com área ainda em posse da Giacomet-MarodinUma equipe do Incra iniciou ontem à tarde nova e definitiva vistoria na Fazenda Pinhal Ralo, da empresa Giacomet-Marodin, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel). A inspeção deve identificar se existe área passível de desapropriação, além dos 16.852 hectares já desapropriados, para o assentamento de todas as 1.650 famílias de sem-terra que ainda ocupam a área.
O número de ocupantes da fazenda diminuiu gradativamente a medida que muitas famílias iam perdendo a esperança de conseguir o assentamento definitivo. Mesmo a área desapropriada por decreto do presidente da República, no início de janeiro, é insuficiente para abrigar todo os que ainda estão na fazenda. A primeira vistoria do Incra, feita há sete meses, e que definiu a extensão a ser desapropriada, foi contestada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) do Paraná. Segundo o Movimento, a terra passível de desapropriação é maior.
Para o MST, grande parte dos 83 mil hectares da Giacomet-Marodin não pode ser considerada produtiva. A empresa contesta a informação. Segundo a Giacomet, existem grandes áreas de reflorestamento e outros projetos de aproveitamento. Logo após a invasão, a Giacomet-Marodin se dispôs a ceder exatamente o espaço que acabou sendo desapropriado para receber pagamento - de R$ 16,6 milhões - em Títulos da Dívida Agrária (TDAs).
Depois do pagamento, que ainda deve ser formalizado pelo governo, o Incra poderá iniciar o processo de assentamento formal das famílias. A vistoria iniciada ontem, com presença da superintendente do órgão no Paraná, Maria de Oliveira, deve confirmar a dimensão exata da área ainda passível de desapropriação na fazenda.
O trabalho de campo deve ficar pronto até o final da próxima semana. Em mais duas semanas, estarão prontos os relatórios, segundo informou Valdir Dorini, executor da Unidade Avançada do Incra em Cascavel.
Inquérito Devem ser apresentadas em poucos dias as conclusões do inquérito feito pela Polícia de Laranjeiras do Sul sobre a morte dos sem-terra José Alves dos Santos, 36 anos, e Vanderlei das Neves, 16, assassinados com vários tiros no dia 16 de janeiro. Os acampados apontam seguranças da Giacomet-Marodin como autores dos crimes. A empresa nega a acusação.


