O Incra oficializará nesta semana a imissão de posse de quatro propriedades em Tamarana para assentamento de sem-terra. A superintendente regional do Incra, Maria de Oliveira, acredita que as famílias podem ser assentadas nestas áreas ainda no primeiro semestre deste ano. Ele está em Londrina, onde participa, hoje à tarde, na Câmara de Vereadores, de uma reunião sobre reforma agrária.
Maria de Oliveira explica que as quatro propriedades, somadas a outras três, cuja imissão de posse deve sair em breve, totalizam nove mil hectares. Após a conclusão da imissão, a Emater irá realizar o estudo nas áreas (quadro natural) e passará para o Incra o número exato de famílias que podem ser assentadas. Ela acredita que as propriedades vão comportar de 700 a 750 famílias.
Segundo Maria de Oliveira, nesta semana estão sendo realizadas vistorias em cinco propriedades na microrregião de Londrina, ofertadas para o Incra por instituições financeiras, proprietários particulares e Sociedade Rural.
De acordo com dados do Incra, existem no Paraná 109 projetos de assentamentos, que totalizam seis mil famílias assentadas e já trabalhando na terra, e 25 áreas desapropriadas. Além disso, são 12 mil famílias em 85 áreas (totalizando 105 mil hectares) invadidas à espera de um pedaço de terra. Estes números fazem com que o Paraná seja o Estado com maior número de ocupações em todo o País.
Apesar de o Paraná liderar o ranking de invasões, Maria de Oliveira observa que o clima no Estado é bastante tranquilo. Ela acredita que um dos motivos é que grande parte das ocupações ocorre em áreas cujos proprietários já estão negociando ou mostram interesse em fazer acordo com o Incra.
O presidente da Câmara, vereador Adalberto Pereira (PFL), diz que a Câmara resolveu organizar a reunião por estar preocupada com a situação. Também participará do encontro Josmar Choptian, da direção regional do MST. Foram convidados ainda a Sociedade Rural do Paraná e prefeitos da região.
A superintendente do Incra ressalta ser importante participar de eventos semelhantes para poder divulgar mais sobre o assunto. ‘‘A reforma agrária depende desse sistema de informações para que fique melhor entendida.’’ Ela acredita que antigamente a reforma agrária era um processo muito escondido. ‘‘Hoje precisamos liberar informações para que a sociedade entenda como é o processo - qual a clientela e a demanda da reforma.’’

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