Incra garante assentar 2 mil famílias
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Luka Morais 
Marcos BorgesPELA PAZNa mesa de negociação, representantes do Incra com o presidente da Sociedade Rural e o prefeito de LondrinaProtocolo de intenções assinado ontem pela manhã estabelece uma trégua entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Sociedade Rural do Paraná (SRP). Pelo acordo - também subscrito pela superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira -, até o dia 30 de julho o MST não promoverá ocupações de terras em 28 municípios da região de Londrina. A SRP, por sua vez, extingue a Patrulha Rural e suspende a contratação de segurança armada. Ao Incra cabe garantir a desapropriação de áreas para o assentamento de 2 mil famílias.
O documento foi elaborado durante reuniões realizadas no último final de semana entre representantes do MST, SRP e Incra. O motivo dos encontros foi o término do acordo anterior, em 15 de março, firmado em 24 de janeiro, quando o MST garantia o fim das invasões na região. Também estava previsto, após o vencimento do pacto, a ativação da Patrulha Rural para conter as ocupações.
O presidente da Sociedade Rural, Manoel Neco Garcia Cid, comprometeu-se a pedir o cancelamento do processo judicial contra Josmar Choptian, da direção estadual do MST, que resultou no inquérito policial por causa das ameaças de invasões de terras. O inquérito instaurado em fevereiro apura o crime de esbulho possessório (apoderar-se de propriedade alheia). Garcia Cid também garante apresentar ao Incra a documentação das propriedades ofertadas pelos fazendeiros, para o assentamento de duas mil famílias de sem-terra.
Além de assegurar o fim das invasões na área delimitada até 30 de julho, o representante do MST concordou com a redução de 5 mil para 2 mil o total de famílias que integrarão o acampamento, enquanto aguardam a destinação de áreas para assentamento. Esse acordo foi possível pela garantia de assentamento dessas duas mil famílias, comentou Choptian. Sobre as 3 mil restantes que não serão beneficiadas até o dia 30 de julho, ele disse que ficarão para um segundo momento. Os critérios para escolha dos beneficiados ainda serão definidos.
Para o líder estadual do MST, o acordo foi um passo importante para a concretização da Reforma Agrária em Londrina e fruto da luta de classe que move a sociedade, de uma guerra permanente entre os que têm com os que não têm. Na opinião de Choptian, o protocolo de intenções possui um componente a mais: Demonstra que o MST, ao contrário do que tentam mostrar os meios de comunicação, tem pessoas que buscam o diálogo e não apenas a baderna.
O prefeito Antonio Belinati, que presenciou a assinatura do protocolo de intenções, destacou a importância do acordo. Esse é um momento histórico, que deveria ser modelo para o País porque todos vão ganhar. Ele defendeu a municipalização do processo de Reforma Agrária. Ninguém melhor que o prefeito para conhecer as áreas produtivas e improdutivas de um município.
Também estiveram presentes à cerimônia o secretário Municipal de Agricultura e vice-presidente da Sociedade Rural, Samir Cury, o presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina, João Milanez, e associados da Sociedade Rural.


