Incra fecha acordo com 100 famílias
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sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniMudançaMaioria das famílias deixou a Fazenda São Sebastião, em Querência do Norte, e foi ontem para Icaraíma Parte das 170 famílias de ribeirinhos - agricultores que viviam nas margens do Rio Ivaí - deixaram ontem a Fazenda São Sebastião, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). Pelo menos 100 famílias, segundo cálculos dos líderes do acampamento, aceitaram a oferta do Incra que ofereceu a Fazenda Central, em Icaraíma, a cerca de 50 quilômetros de Querência do Norte. A propriedade tem 881,81 hectares e foi repassada ao Incra pelo Banestado, que recebeu a área do Grupo Central, de Maringá.
Um grupo de aproximadamente 50 famílias de ribeirinhos que ocupam a Fazenda Bandeirantes foi convencido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) a continuar na área. A primeira tentativa dos líderes do MST foi de convencer as famílias que estavam na Fazenda São Sebastião de não deixar a propriedade, mas não houve acordo.
Os ribeirinhos não aceitam a forma de atuação do MST e acusam o movimento de trazer famílias de todo o país e até do Paraguai para ocupar áreas em Querência. Nós somos daqui, sempre produzimos e geramos emprego e não agimos como o MST. Só queremos terra para produzir, afirmou um dos líderes dos ribeirinhos, Vidal Renê Polini.
Marcos NegriniRetornoO grupo que não aceitou a transferência para a Fazenda Central destruiu os barracos e voltou para Querência
Polini disse que as famílias que moravam nas marens do Rio Ivaí fazem parte do movimento ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag). Ele explicou que os ribeirinhos viviam na fazenda Pontal do Tigre desde 1973. Quando o governo desapropriou a área, oito anos depois, assentou apenas famílias ligadas ao MST. No ano passado, o Incra levou os ribeirinhos para a Fazenda Sonho Real, onde já existia um acampamento do MST.
Polini disse que os sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra impediram as famílias de ribeirinhos até de sair da propriedade. Em junho passado as famílias acamparam por 12 dias no centro de Querência, antes de ocupar as fazendas São Sebastião e Bandeirantes.
O delegado de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradock, disse ontem que recebeu a missão de negociar a saída dos ribeirinhos Fazenda São Sebastião e em dois dias conseguiu convencer os líderes do grupo. As famílias que não aceitaram a mudança para a Fazenda Central estão voltando para a casa de familiares em Querência. Outras poucas ficaram na propriedade.
Segundo Polini, estas famílias que não querem sair acreditam que o MST vai ocupar a área. Eles pretendem se juntar aos sem-terra, disse. O delegado Bradock adiantou que não vai permitir uma nova ocupação na propriedade.
O delegado adiantou que tinha acertado a retirada das famílias da Fazenda Bandeirantes, mas que o MST convenceu os ribeirinhos a não deixar a propriedade. A Folha tentou conversar ontem com os líderes das famílias que ocupam a fazenda, mas foi impedida de entrar no acampamento. Um grupo de cerca de 30 ribeirinhos fechou a entrada da fazenda e um dos líderes, que não se identificou, disse que não podia passar informações sobre a decisão das 70 famílias que ocupam a área.
Um dos líderes do MST em Querência do Norte, Paulo de Marchi, disse para a Folha ontem que o movimento está tentando negociação para manter as famílias na Fazenda Bandeirantes. Ele garantiu que o movimento não tem intenção de ocupar da Fazenda São Sebastião e que os sem-terra estão cumprindo o acordo com o Incra e o governo do Estado, retirando as famílias das áreas onde a Justiça concedeu reintegração de posse aos donos.


