A Bolsa de Cereais e Mercadorias de Maringá realiza hoje, a partir das 10 horas, o primeiro leilão de imóveis rurais localizados nas regiões Norte, Noroeste, Vale do Ivaí e Centro. O leilão é promovido pelo Incra com o objetivo de adquirir terras para o processo de reforma agrária no Estado. No total, o órgão espera comprar através do leilão, 20 mil hectares, sendo cinco mil em cada região.
Até ontem à tarde, de acordo com a superintendente da Bolsa, Vera Lucia Periotto, nenhum proprietário rural havia apresentado oferta de venda de imóveis. As ofertas ainda podem ser apresentadas hoje, durante o leilão. O Incra não quis divulgar o preço de abertura, e por isso, segundo Vera Lúcia, os proprietários deixaram de apresentar as propostas antecipadamente.
O leilão foi prorrogado duas vezes. Na primeira vez, os proprietários rurais solicitaram um tempo maior para providenciar toda documentação das áreas. No mês passado, o leilão foi novamente prorrogado porque o Incra incluiu terras da região Norte, Centro e Vale do Ivaí. A princípio o Incra pretendia adquirir apenas cinco mil hectares da região Noroeste.
Para participar do leilão, o proprietário pode oferecer área mínima de 300 hectares com toda documentação. A principal exigência é a apresentação da Nota Agronômica que é fornecida por engenheiros agrônomos da Emater. A nota contem toda informação sobre a propriedade, desde qualidade do solo a benfeitorias e o tipo de atividade e de cultura existente na área.
De acordo com Vera Lúcia, todo processo é sigiloso e o interessado em vender a propriedade não será reconhecido nem pelos operadores e realizadores do leilão. O proprietário faz a oferta da área apresentando apenas o tamanho da propriedade e a Nota Agronômica. O valor da área é calculado com base no ‘‘Fator de Classificação Máxima’’ que é multiplicado pela nota apontada pelo técnico que elaborou a Nota Agronômica. A partir do cálculo obtem-se o preço da área por hectare. ‘‘Esta é um forma de garantir o preço justo de cada área’’, diz Vera Lúcia.
Boa parte do pagamento das terras ofertadas será feita através de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). O Incra vai pagar 15% do valor da propriedade em moeda corrente pelas benfeitorias existentes na área. Para o restante da propriedade (85%) o pagamento será feito em TDAs. O sistema de compra de terra pelo Incra através de leilão é inédito no País. Será permitido participar do leilão até mesmo área invadida pelos sem-terra.

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