RIBEIRÃO DO PINHAL - A superintendente do Incra, Maria Oliveira, pediu às cerca de 60 famílias de sem-terra que ocuparam a Fazenda Santa Maria, anteontem, em Ribeirão do Pinhal (56 quilômetros a oeste de Jacarezinho), que desocupassem a área até a noite de ontem.
A superintendente disse que o Incra não faz vistoria em terra ocupada. ‘‘Demos o prazo de 24 horas para que eles saiam da terra e então o Incra entra para a vistoria’’, afirmou. Segundo Maria Oliveira, ainda hoje será enviada uma equipe de vistoria para levantar a dimensão e a produtividade da área.
A superintendente acredita que a invasão tenha ocorrido num momento de desespero dos sem-terra. ‘‘Sabemos que com a barriga vazia os sem-terra são dispostos a tudo, mas eles têm que entender que a norma da casa é: em terra ocupada não se faz vistoria’’.
Para os sem-terra, a invasão foi motivada pelo descontentamento com tempo de espera. ‘‘O Incra manda esperar mas não podemos mais ficar sem terra pra trabalhar e deixar as crianças morrerem de fome’’, alegou o bóia-fria Odair Macota. Segundo ele, os sem-terra só vão sair porque o Incra prometeu agilizar uma solução.
‘‘Os sem-terra têm que ter consciência de que não podem entrar onde eles bem entendem e depois lutarem pela legalização da área’’, alertou Maria Oliveira. Segundo ela, a preocupação do Incra hoje não é somente a desapropriação de áreas para o assentamento de famílias de agricultores sem-terra e sim mantê-los na sua unidade produtiva.
A fazenda Santa Maria tem 292 alqueires, sendo 160 de plantação de cana, 80 de mata e o restante de pastagens. Ela também é sede de uma usina de cachaça com capacidade de produção de 4 milhões de litros por safra, oferecendo 160 empregos. O recolhimento de ICMS é de R$ 200 mil. Segundo o proprietário, Chepli Tanos Daher, a área é a altamente produtiva.
Os sem-terra tinham informação de que o proprietário estaria inadimplente com dívidas bancárias, o que levaria a fazenda para reforma agrária. Então invadiram a área, para garantir a despropriação. Mas Daher afirma que as dívidas, contraídas pelos antigos proprietários (ele comprou a fazenda em 94) já foram negociadas. O Banco do Brasil, por exemplo, teria aceitado um lote de 2,3 milhões de litros de cachaça como pagamento de parte dos débitos.
Informações obtidas no fórum de Ribeirão do Pinhal dão conta que as negociações em torno das dívidas ainda estão em andamento.

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