DivulgaçãoConstataAndreguetto, do IAP e Iurk, do Ibama: área afetada estava em processo de recuperação de um desmatamento anteriorOs órgãos de controle ambiental vão multar o Incra, a empresa Araupel (antiga Giacomet-Marodin) e os sem-terra que ocupam a Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (Sudoeste do Paraná), pelo corte de árvores de espécies nobres na propriedade. Um laudo elaborado por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do próprio Incra aponta o desmate irregular de áreas de sub-bosques (vegetação em estado de regeneração) na fazenda. Segundo os técnicos, o desmatamento ocorreu em dois momentos: antes da desapropriação de parte da área, pela antiga proprietária (a Araupel), e nos últimos dois meses, pelos sem-terra.
A vistoria na fazenda foi realizada na última sexta-feira. Segundo o presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, os técnicos constataram a execução de roçada numa área de 4 mil hectares, da qual fazem parte ‘‘alguns sub-bosques, com espécies nobres como cedro, araucária e canela’’.
‘‘O desmatamento é recente, de dois meses para cᒒ, disse o diretor de fiscalização do IAP, Mário Sérgio Rasera. Segundo ele, qualquer corte em área de sub-bosques exige licenciamento ambiental. O licenciamento deveria ser sido pedido pelo Incra, que, legalmente, é o atual detentor da posse da área.
Os técnicos também constataram que a área afetada estava em processo de recuperação de um desmatamento anterior, feito pela Giacomet antes da desapropriação, decretada em janeiro deste ano. ‘‘A empresa não respeitou o plano de manejo aprovado’’, disse o superintendente regional do Ibama, Jonel Iurk.
A autuação foi feita com base na Lei 6.938/81 e estabelece a multa máxima para esse tipo de crime ambiental: R$ 4.960,00 para cada um dos três autuados. Eles terão 15 dias para pagar ou apresentar recurso.
A superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira, e os diretores da Araupel não foram encontrados ontem. O Incra tem informado que não apresentou estudo de impacto ambiental sobre o assentamento na Pinhal Ralo porque ainda não definiu a distribuição dos lotes. Mas, segundo Iurk, essa distribuição deve ser precedida do licenciamento ambiental, e não o contrário.
A coordenação do MST informou que vai recorrer da autuação. Segundo o MST, os sem-terra fizeram apenas um corte de taquaral para iniciar o plantio na Pinhal Ralo, onde vivem 1.300 famílias, das quais 900 serão assentadas definitivamente no local.

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