Incra decide suspender leilão de terras
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Curitiba 
A direção nacional do Incra suspendeu ontem o leilão de terras marcado para o próximo dia 7 e que serviria para assentar famílias sem-terra na região Noroeste do Paraná. O Incra está disposto a ampliar o edital para as regiões central, do Vale do Ivaí e de Londrina. A superintendente regional no Paraná, Maria de Oliveira, acusa as lideranças ruralistas da região de fazerem lobby contra o leilão. Os fazendeiros queixam-se dos preços que o Incra se dispõe a pagar pelas terras.
Maria de Oliveira diz que o leilão só deve ocorrer no final de novembro. Até lá, o Incra se compromete a agilizar o processo de oferta de áreas no Paraná. A superintendente garante que até o final desse ano assenta 3.467 famílias sem-terra (mil a mais da meta fixada para 1997) em 59 imóveis, dos quais 20 já com imissão de posse autorizada pela Justiça. Dez novas áreas, que totalizam 15 mil hectares, estão na mesa do presidente nacional Milton Seligman, em Brasília, diz Maria de Oliveira.
Gilmar Viana, assessor de Seligman em Brasília, disse ontem na reunião do governo paranaense com o MST que 126 vistorias foram feitas até agora na região Noroeste e que mais 89 estão previstas para o restante do Paraná. O governo já nos encaminhou os pedidos de desapropriação das áreas ofertadas pelo Banestado, mas que ainda estão sob a nossa análise. O Incra se compromete em agilizar, mas a questão política tem que ser contornada o quanto antes, observa.
Um estudo preliminar apresentado ontem pelo Incra revela que as demandas de áreas das famílias sem-terra fixadas regiões noroeste, de Nova Cantú, Teixeira Soares, oeste e de Tibagi não deverão ser atendidas na sua totalidade nesse ano. O Incra apresentou um plano de obtenção de áreas a serem adquiridas a curto e médio prazo. E trabalha com a possibilidade de assentar cerca de 4 mil das quase 10 mil famílias sem terra que se distribuem hoje pelo Paraná.


