Incra avalia que conflito está fugindo ao controle
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
A superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira (foto), disse ontem que os acontecimentos da Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí, indicam que o conflito agrário no Paraná está fugindo ao controle do governo. Ela defendeu o desarmamento no campo e sugeriu que, caso isso não ocorra, a É preciso dizer claramente: proprietários, a regra é essa; sem-terra, a regra é essa. Se isso não é possível, não vejo outro caminho senão dizer: Exército, a regra é essa.
Para Maria de Oliveira, os fatos de Santa Isabel foram uma estupidez. Essas pessoas se aproveitaram das reintegrações de posse que estão sendo feitas pelo Estado para promover baderna, disse. Ela lembrou que o processo de desapropriação da Fazenda Saudade está sub judice.
A área foi desapropriada em março de 1995. O proprietário contestou o decreto e obteve ganho de causa na Justiça, mas o Incra recorreu e aguarda decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Não se trata, portanto, de cumprir uma reintegração de posse, disse.
Maria de Oliveira repetiu o alerta que vem fazendo sobre o potencial de conflitos no campo: Os dois lados estão fortemente armados e, enquanto não ocorrer o desarmamento, não há sentido no nosso trabalho.
No final da tarde a superintendente viajou para Brasília, onde terá encontros com o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, e com o presidente do Incra, Milton Seligmann. Segundo ela, Seligmann poderá vir a Curitiba na próxima terça-feira, caso o governador Jaime Lerner concorde em participar de uma nova reunião com a liderança do MST. O encontro foi pedido pelo MST, que deseja um acordo para resolver até dezembro os problemas emergenciais da reforma agrária.


