Incra anuncia 5 imissões de posse
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Alexandre Sanches, de Alvorada do Sul 
Mário CésarProtestoRodovia PR-090, em frente à área ocupada, ficou bloqueada por 3 horas, até a chegada da superintendenteA superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, anunciou ontem, no final da tarde, durante reunião com os sem-terra acampados na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul (65 quilômetros ao norte de Londrina), cinco imissões de posse na região norte do Estado. Ao todo são nove áreas com 8.700 hectares, beneficiando de imediato, 360 famílias, mas não foram citados os nomes das áreas.
Os sem-terra bloquearam a PR-090, em frente à Ingá, por três horas de manhã, e parte da tarde. De manhã, os sem-terra aos poucos liberavam os carros, evitando filas muito grandes. À tarde, a ordem era de só liberar após uma reunião com a superintendente do Incra.
No protesto, um trator ficou atravessado na rodovia. Mesmo com a chuva e o frio da manhã, um centenas de pessoas usando foices, enxadas e facões, impediam a passagem de veículos pela estrada. Um grupo tocava violão e sanfona e puxava canções sobre a terra para manter o ânimo dos manifestantes. Muitas crianças participaram do movimento.
Maria de Oliveira era esperada para as 14 horas, mas o mau tempo impediu que o avião em que viajava pousasse em Londrina. Ela chegou às 16h35, quando uma fila de veículos já era grande no trecho Alvorada a Bela Vista do Paraíso.
Eles exigiam do Incra a desapropriação de sete áreas localizadas na região de Tamarana e que estão na Justiça, além da desapropriação e assentamento das 59 famílias da Fazenda Ingá. O processo de desapropriação já dura sete anos, mas Maria de Oliveira afirmou que este processo ainda não teve um desfecho.
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Josmar Choptian, explicou que este protesto fez parte da campanha nacional de luta pela reforma agrária, que está sendo realizado neste mês. Queremos créditos do Procera (programa de financiamento para assentamentos) para assentamentos da região de Tamarana, imissão de posse e drecreto de ocupações, os resultados da vistoria nas fazendas Cacique e Sagarana, além de uma solução para o grande acampamento da Fazenda Ingá, comenta.
Maria de Oliveira informou aos manifestantes que foram liberados investimentos do Procera de R$ 5,5 milhões. O valor pode dobrar se o sistema for cooperativo - como é o caso da Fazenda Ingá. Também foram liberados fomentos agrícolas de R$ 2 milhões, além de infra-estrutura para os assentamentos. A superintendente anunciou a desapropriação de 17 imóveis, num total de 15 mil hectares, para beneficiar 650 famílias.
Segundo o MST, 780 famílias já estão agrupadas no acampamento da Ingá, iniciado há dois meses. O movimento reivindica cestas básicas e lonas para as barracas, além de informações sobre quais fazendas serão destinadas para assentá-las na região e quantos hectares o Incra já possui.
Estamos com 15 equipes levantando as áreas na região. Duas equipes estão fazendo o levantamento das famílias que serão beneficiadas, disse Maria de Oliveira.
Após a reunião com a superintendente do Incra, os sem-terra deveriam fazer uma assembléia para decidir se aceitavam a posição do Incra ou se voltavam a ocupar a rodovia.


