Curitiba - A incontinência urinária atinge cerca de 25% das mulheres no pós-parto. Os números são de pesquisas da França, mas podem ser transpostos para o Brasil. O que não foi transferido daquele país para o nosso foi a atitude adotada para evitar que as mulheres continuem sofrendo com a incontinência urinária.
Enquanto na França toda mulher tem direito a dez sessões de fisioterapia pós-parto para evitar a incontinênica, no Brasil a fisioterapia como prevenção e tratamento ainda é pouco utilizada. Isso foi um dos assuntos debatidos ontem, durante 2º Congresso Internacional sobre Prevenção da Incontinência Urinária, que está sendo realizado no Centro de Estudos do Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
Durante o congresso, especialistas franceses fizeram cursos para fisioterapeutas de todo o País, interessados em conhecer as novas técnicas de prevenção e tratamento desta doença que atinge aproximadamente 10% da população mundial. A fisioterapia já é conhecida há algum tempo no tratamento, mas só há poucos anos foi adotada de maneira mais massiva, principalmente na Europa.
Apesar do congresso ter como tema a gravidez e o pós-parto, a incontinência urinária pode acontecer por vários fatores que vão desde exercícios abdominais inadequados até a menopausa, no caso das mulheres, ou a cirurgias de próstata para os homens.
É comum associar-se o problema à idade, mas isso não é certo. ''Não é normal em nenhuma idade e tem que ser tratada, mas as pessoas precisam parar de pensar na incontinência como um assunto tabu'', afirma a fisioterapeuta Maura Seleme, organizadora do Congresso.
A fisioterapeuta explica que até atletas correm o risco de ter a incontinência urinária porque fazem muitos exercícios abdominais e, em contra-partida, deixam de exercitar o períneo, grupo muscular que repousa as vísceras do organismo e fica entre o ânus e os órgãos sexuais.
Como o períneo é um músculo que pode ser exercitado, o mais fácil é fazer a prevenção, fortalecendo-o. ''É a melhor prevenção e as pessoas podem aprender e fazer os exercícios em casa'', afirma Maura Seleme, que vem tentando fazer um trabalho de massificação da prevenção e tratamento da doença. Ela também é a presidente da Associação Brasileira de Ajuda e Formação sobre a Incontinência Urinária (ABAFI) que desenvolveu um sítio na internet onde divulga informações, exercícios e orientações. O endereço na internet é www.abafi.com.br.

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