Luciana Pombo
De Curitiba
Três pessoas por dia são presas e autuadas em flagrante pela Polícia Civil no Paraná por uso ou tráfico de entorpecentes. O levantamento foi feito durante esta semana, pela Folha, através de relatórios do Departamento da Polícia Civil do Estado, expedidos após ordem do ex-delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha, e protocolado com o número 007/00 de primeiro de fevereiro deste ano.
Indagação do delegado-geral do grupo Fera, Adauto de Oliveira, revela preocupação com a diferença entre o número de ocorrências envolvendo drogas e a quantidade de entorpecentes apreendidos
Os relatórios mostram todas as prisões, autuações, indiciamentos e apreensões de entorpecentes feitos entre 98 e 99. As conclusões mostram que nos dois anos, foram registradas 2,14 mil ocorrências, cerca de 1,07 mil por ano. Cerca de 2,71 mil pessoas foram indiciadas em inquérito.
Mas os dados revelam que as quantidades de entorpecentes apreendidos são – na maior parte das vezes – pequenas. Nos dois anos, a Polícia Civil tem registrado – em documentos internos dos distritos e delegacias – a apreensão de pouco mais de sete toneladas, 46 pés, um arbusto, 69 papelotes e 11 buchas de maconha; cerca de 267 mil quilos, 697 papelotes, 49 cápsulas e 12 buchas de cocaína; quase 27 quilos, 807 pedras e 31 papelotes de crack; três quilos e 292 pedras de haxixe.
‘‘Isto é incompetência absoluta ou corrupção’’, esbraveja Adauto de Oliveira, delegado-geral do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera).
Cerca de 74% das apreensões são realizadas no interior do Paraná, onde aproximadamente 2 mil pessoas foram indiciadas em inquérito. Curitiba é responsável pelo registro de cerca de 13,4% das ocorrências, a região metropolitana responde por 8,6% e o Litoral por pouco mais de 4%.
‘‘As delegacias e distritos nunca sofreram qualquer tipo de fiscalização em relação às drogas. O crime de tóxicos é um crime sem vítimas. É fácil haver uma negociação entre as partes’’, conclui o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Tóleb Balech Barbosa, que chegou a decretar intervenção em dezembro de 96 na Delegacia de Antitóxicos por causa das denúncias de que investigadores estavam extorquindo dinheiro de suspeitos para não registrar ocorrências.
A situação de Curitiba parece a mais grave do Estado. Enquanto no interior – onde a estrutura muitas vezes não ajuda – os dados das pessoas indiciadas são registrados e compilados, em Curitiba muitas das delegacias não tinham sequer um registro com nomes das pessoas detidas, idade, tipo de entorpecente e quantidade apreendida.
Casos como este foram registrados em nove dos 13 distritos policiais da cidade e cinco das sete delegacias especializadas onde casos de apreensões de entorpecentes foram registrados.

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