Mauricio Della Barba
De Londrina

Josoé de Carvalho

Procedimentos para doação de medula são relativamente simples


Entre todos os transplantes possíveis através de um doador vivo, o de medula óssea é o mais difícil de ser efetivado. Tudo seria simples, não fosse o problema de compatibilidade entre as medulas do doador e receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é uma em mais de 100 mil.
A medula óssea é encontrada dentro dos ossos do corpo. É responsável pela produção dos glóbulos brancos, células que agem no nosso sistema de defesa. Diferentemente do que se pensa, a medula óssea não é um orgão sólido, mas sim um tecido orgânico. A medula óssea é diferente da medula espinhal. As pessoas portadoras de doenças no sangue, como leucemia ou aplasia, são as que necessitam do transplante.
‘‘É angustiante a procura de um doador. Por ser difícil, precisamos de um número muito grande de voluntários dispostos a coletar sangue’’, diz Rosana Maria Fiorin, de 36 anos, assistente social do Hospital das Clínicas de Londrina (HCL) e portadora de leucemia. O caso de Rosana foi um dos motivos pelo qual foi iniciado recentemente na cidade um trabalho de cadastro de possíveis doadores.
‘‘Com a solidariedade dos amigos iniciamos a coleta de sangue aqui no HCL. Temos muita gente interessada em doar, mas não temos kits de coleta suficiente’’, diz a assistente social. Toda terça-feira, é coletados o sangue de cerca de 50 doadores na cidade. O sangue é enviado para a Universidade Estadual de Maringá, único centro público no Paraná que realiza a tipagem de HLA (exame de compatibilidade).
Segundo a chefe da Divisão de Assistência à Saúde (DAS) da 17ª Regional de Saúde em Londrina, Rosilene Aparecida Machado, a pequena quantidade de frascos explica-se pela modesta estrutura: ‘‘Não adianta aumentar o número de coletas se não há uma estrutura que comporte a realização dos exames’’, diz Rosilene.
A falta de recipientes especiais para coleta é apenas um dos problemas enfrentados por quem necessita de uma medula óssea. O sangue coletado para o HLA será posteriormente cadastrado e confrontado nos Bancos de Doadores de Medula estadual, nacional e mundial.
A procura no banco estadual e nacional é gratuita. Porém, caso necessite realizar a busca mundial, o paciente pode gastar entre US$ 35 mil a US$ 50 mil.‘‘A busca, locomoção e materiais médicos utilizados para encontrar e retirar a medula encarece o procedimento. Além disso, cada país tem uma tabela diferenciada’’, explica a assistente social do programa de busca mundial de doador de medula óssea do Hospital das Clínicas de Curitiba (HCC), Mara Lígia.
O transplante, feito somente em Curitiba e no Rio de Janeiro, também é caro. ‘‘Um transplante de medula custa no mínimo R$ 75 mil’’, informa a assistente. Segundo Mara, recentemente o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a pagar o transplante para os conveniados ao sistema. Em alguns casos, somente com uma ação judicial o transplante foi possível pelo SUS.
O transplante é feito como uma transfusão de sangue. Os doadores recebem uma anestesia geral ou peri-dural. Através de punções feitas na região da bacia, a medula é extraída por aspiração com agulha e seringa. Todo o procedimento dura no máximo uma hora. Menos de 10% da medula óssea é removida. Entre 10 a 15 dias o doador já está recomposto. Os riscos para os doadores são quase inexistentes.

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