Inclusão social e participação da comunidade
Com um déficit habitacional de 10 mil moradias - esse é o número de famílias inscritas na Cohab - o que não faltam são terrenos na cidade: ''Nós temos hoje uma grande oferta de áreas nas mãos de loteadores. São aproximadamente 25 mil lotes disponíveis no mercado'', revela Luis Figueira de Mello, diretor-presidente do Ippul. A maioria têm 250 metros quadrados e custa de 12 a 15 mil reais. Para Mello, aí estaria a solução para a urbanização das favelas da cidade. ''Em vez de construir novos bairros, porque não criar parcerias entre a Cohab e a iniciativa privada para oferecer alguns desses lotes para famílias de baixa renda, reduzindo e parcelando os custos?'', propõe Luis.
A idéia já começou a ser colocada em prática. A Cohab fez um acordo com a Loteadora Ferrari, que cedeu alguns lotes no Jardim Nova Esperança (Zona Sul), onde foram construídas casas do projeto Onde Moras. ''Estamos abertos a este tipo de parceria. Em troca de 2% do total de terrenos, nós permitimos que o empreendimento seja cortado em lotes de 200 metros quadrados'', explica Carlos Eduardo Afonseca e Silva, presidente da Cohab. Ele garante que o negócio é bom para as loteadoras, já que a metragem mínima é de 250 metros quadrados e podendo cortar terrenos menores, elas ganham na quantidade de lotes comercializados.
Pior do que as favelas, para Afonseca e Silva, é a invasão dos fundos de vale. Segundo ele, Londrina tem 2.200 famílias morando em áreas de preservação ambiental, onde qualquer regularização está proibida por lei. ''Eles não podem ficar lá e nós também não podemos urbanizar esses locais'', indica. A alternativa é buscar recursos, conseguir outra área e convencer as famílias a mudar de endereço. Nem sempre isso dá certo. As quatro gerações da Cantinho do Céu, que vivem às margens do Ribeirão Quati, são prova disso.
Prevenir, em vez de remediar. Esta é a filosofia do engenheiro Humberto Marques de Carvalho, assessor técnico de planejamento do Ippul. ''Não adianta tirar as famílias dos fundos de vale porque se a gente não fizer nada na área, elas voltam. O que é preciso é revitalizar e transformar essas áreas em locais de lazer. Se a gente não envolver a comunidade para que ela ajude a cuidar e fiscalizar, não vamos nunca conseguir cumprir essa lei'', assegura. O Ippul pretende abordar essa questão na revisão do Plano Diretor da cidade, que deve sair até junho do ano que vem.(P.F.)





