Inclusão Projeto vai garantir acessibilidade aos deficientes da UEL
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Um projeto grande, que demandará bastante trabalho e principalmente recursos financeiros, vai mudar a vida dos deficientes que estudam ou trabalham na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Rampas de acesso, retirada de obstáculos, entre outros recursos, fazem parte do Projeto de Acessibilidade - criado pela ex-professora e ex-aluna de Arquitetura da UEL, Célia Regina Vitaliano e Juliana Cardoso Esteves - que deve sair do papel a partir do ano que vem.
Apesar de um pouco tarde, a notícia trouxe alívio para o deficiente físico, estudante do 4 º ano de Administração, Bernardo Carlos de Oliveira, 23 anos. Mesmo sem ser cadeirante, Oliveira tem dificuldades para andar devido a um problema nas pernas. Desde que ingressou na universidade, teve que conquistar muitas coisas e uma delas foi conseguir mudar a sala de aula de lugar.
''Minha sala era no segundo piso do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) e para mim seria muito difícil ter que subir as escadas. Não posso flexionar os joelhos e preciso evitar andar pois minha deficiência é progressiva'', disse.
Quando informado sobre o projeto, o estudante ficou surpreso e feliz. ''Pode ser que eu ainda consiga desfrutar um pouquinho dessa nova acessibilidade. Mas já estava na hora, mesmo. Não sei se ainda não havia sido feito nada por falta de interesse ou porque ainda são poucos os alunos com deficiência física na UEL'', comentou.
Segundo o pró-reitor de Planejamento, Otávio Shimba, nenhum tipo de trabalho parecido havia sido feito antes por falta da existência de um projeto. Ele explicou que o próximo passo agora é conseguir verba. ''O projeto já está sendo elaborado desde a administração da Lygia Pupatto, em 2003. Ainda não temos o custo total mas para se ter uma idéia, só no Restaurante Universitário (RU), o custo gira em torno de R$ 73 mil'', disse.
Pelo menos seis deficientes físicos, sete visuais e outros quatro auditivos estão cadastrados no Programa de Acompanhamento ao Estudante com Necessidades Especiais (Proene) da UEL. Porém, sabe-se que nem todos os alunos com deficiência se cadastram no programa, o que leva a secretaria do Proene apostar na existência de mais deficientes espalhados pelo campus.
A Biblioteca Central, o RU, Centro de Ciências Humanas (CCH), o Cesa e o Pinicão (anfiteatro do CCB) devem ser os primeiros a serem reestruturados. Segundo a arquiteta Juliana Cardoso Esteves, todos os centros também passarão por mudanças. ''O projeto viabiliza elevadores na biblioteca, melhores rampas de acesso, a eliminação de obstáculos por todo campus, piso tátil e, principalmente, mudanças em todos os sanitários, onde existem muitas estruturas que foram feitas de forma equivocada''.
Ainda segundo Shimba, as verbas federais são ''bastante generosas'' quando se trata de viabilizar recursos para projetos como esses. ''Já conseguimos uma pequena verba por meio do Fundo Paraná para dar início aos trabalhos na Biblioteca e no CCH, mas devido ao processo de licitação, as obras devem acontecer só no ano que vem''.


