Inclusão por meio da cultura
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sexta-feira, 06 de novembro de 2009
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Ibiporã- ''Família tem que lutar pelo seu filho, não pode abandonar no mundo.'' Frase simples, mas sábia, escrita pelo aluno Gilmar Carlos Ferreira, portador de deficiência intelectual. Ele e outros dois alunos de Associações de Pais e Amigos do Excepcional (Apaes) de Londrina e região concorreram, ontem, ao prêmio de melhor arte literária do 8 Festival Regional Nossa Arte, realizado no Cine Teatro Padre José Zanelli, em Ibiporã (Norte).
Para divulgar talentos artísticos desenvolvidos pelos alunos das escolas especiais, o festival promove a arte por meio de apresentações teatrais, musicais, de dança e dança folclórica, além de exposições de artes visuais, literárias e artesanato.
O evento tem caráter competitivo e após a realização da fase regional, em Ibiporã, os primeiros colocados de cada categoria participarão da etapa estadual em Curitiba, em julho do ano que vem, e da etapa nacional, em Bento Gonçalves (RS), daqui a dois anos.
Conforme o coordenador regional de arte das Apaes, Luciano Ribeiro Cil, competiram pela etapa regional 150 alunos de Sertanópolis, Centenário do Sul, Rolândia, Londrina, Florestópolis, Cambé, Ibiporã, Lupionópolis, Bela Vista e Alvorada do Sul. ''Os próprios professores falam da qualidade e da incrível evolução dos alunos, que este ano apresentaram trabalhos mais consistentes, capazes de competir em igualdade com a arte das Apaes do resto do País.''
Todos os estudantes receberam medalhas de participação no festival e, segundo Cil, só participar já é gratificante para os alunos, que estão acostumados a competir entre si, principalmente no esporte. Ele lembrou que entre as Apaes da região de Londrina, Ibiporã destaca-se como a última campeã nacional de dança.
Segundo o administrador da Apae de Ibiporã, Edson Aparecido Gomes, cada associação teve que arcar com R$ 50 por aluno para participar da etapa regional. ''Mas este dinheiro foi gasto com os alunos, que ganharam camiseta, coquetel, almoço e lanche da tarde durante os dois dias de festival.''
Diego Farias, de 19 anos, estava bastante ansioso na manhã de ontem: seu quadro intitulado Cores Retratantes estava entre os selecionados na competição de artes visuais. Releitura de várias obras do artista Cícero Dias, que trabalha expressões e cores bem brasileiras, Diego usou o colorido do sol e da bandeira do Brasil para expressar seus sentimentos.
Foi um mês de trabalho, ''todo dia um pouquinho'', que culminou na obra que Diego já considera campeã. ''Primeiro dei duas mãos de tinta branca na tela, depois desenhei com lápis, sem borracha, contornei e pintei'', descreveu o aluno, que sofre de deficiência intelectual e estuda na Apae de Ibiporã ''desde pequenininho''.


