Curitiba - Curiosos com a novidade, 15 adolescentes de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba) participaram ontem da aula inaugural do curso de informática básica que irão frequentar pelos próximos três meses. Esta foi, para muitos deles, a primeira vez que ficaram perto de um computador.
Retirados do trabalho infantil, os jovens de 12 a 16 anos participam das atividades sócio-educativas de contraturno escolar pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Filhos de catadores de materiais recicláveis ou em situação de risco social pela proximidade com a violência e com o tráfico de drogas, ganham novas oportunidades de educação e formação profissional. ''A vidinha deles é muito complicada'', relata a diretora do Peti no município, Gizela Guimarães Pereira.
O curso de informática surgiu com o apadrinhamento do Peti de Almirante Tamandaré pela comissão de responsabilidade social do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná. Uma equipe de nove servidores voluntários vai repassar aos meninos e meninas os conhecimentos de informática utilizados no dia a dia do Tribunal. Duas vezes por semana, durante três meses, os adolescentes irão conhecer um ''mundo novo'' para eles.
Além dos 15 alunos, outros 15 adolescentes irão participar da segunda turma do curso. O Peti de Almirante Tamandaré, porém, atende 162 crianças e adolescentes, que serão beneficiadas a partir de doações de materiais e equipamentos pela equipe do TRT, que vão ajudar na organização de uma sede própria para o programa no município.

''Aprender mais''
-As amigas Paloma e Emily (nomes fictícios) nunca utilizaram o computador. Tímidas no primeiro encontro com a equipe do curso, as adolescentes acreditam que irão aprender coisas como ''mexer na internet''. ''Vai ajudar muito, com o tempo a gente vai arrumar um trabalho'', acreditam, animadas.
Para Vitória, 15, os equipamentos não são novidade, pois são utilizados com frequência na lan house frequentada pela jovem. Mesmo assim, a adolescente acredita que a participação no curso é uma oportunidade de crescimento. ''O que a gente aprende não esquece e vamos levar para o nosso futuro. A gente descobre outras coisas, que nos ajudam'', afirma.
O vice-presidente do TRT, Luiz Eduardo Gunter, aposta no potencial de autoestima que a iniciativa pode trazer para os adolescentes e suas famílias. ''Queremos dar às crianças oportunidades, uma perspectiva de profissão, uma atividade para o futuro. Elas terão acesso a informações indispensáveis de cidadania'', diz.

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