Inclusão digital e cidadania
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terça-feira, 17 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Curiosos com a novidade, 15 adolescentes de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba) participaram ontem da aula inaugural do curso de informática básica que irão frequentar pelos próximos três meses. Esta foi, para muitos deles, a primeira vez que ficaram perto de um computador.
Retirados do trabalho infantil, os jovens de 12 a 16 anos, participam das atividades sócio-educativas de contraturno escolar pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Filhos de catadores de materiais recicláveis ou em situação de risco social pela proximidade com a violência e com o tráfico de drogas, ganham novas oportunidades de educação e formação profissional. "A vidinha deles é muito complicada", relata a diretora do Peti no município, Gizela Guimarães Pereira.
A realização do curso de informática surgiu a partir do apadrinhamento do Peti de Almirante Tamandaré pela comissão de responsabilidade social do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná. Uma equipe de nove servidores voluntários vai repassar aos meninos e meninas os conhecimentos de informática utilizados no dia-a-dia do tribunal. Duas vezes por semana, durante três meses, os adolescentes irão conhecer o funcionamento de ferramentas como word, excel, windows e acesso à internet, um "mundo novo" para eles.
Com a participação no curso, os jovens têm acesso a uma oportunidade que dificilmente seria alcançada em sua comunidade local. "Isso ajuda e muito na vida deles. Só pelo fato de trazê-los até aqui, eles que vivem só naquele mundo. É uma oportunidade única, que vão usar pelo resto da vida", comemora Gizela.
Além dos 15 alunos, outros 15 adolescentes irão participar da segunda turma do curso. O Peti de Almirante Tamandaré, porém, atende a 162 crianças e adolescentes, que serão beneficiadas a partir de doações de materiais e equipamentos pela equipe do tribunal, que vai ajudar, principalmente, na organização de uma sede própria para o programa no município.
"Aprender mais"
As amigas Paloma e Emily (nomes fictícios) nunca utilizaram o computador. Tímidas no primeiro encontro com a equipe do curso, as adolescentes acreditam que irão aprender bastante coisa, como "mexer na internet". "Vai ajudar muito, com o tempo a gente vai arrumar um trabalho", pensam animadas.
Para Vitória, 15, os equipamentos não são novidade, pois são utilizados com frequência na lan house frequentada pela jovem. Mesmo assim, a adolescente acredita que a participação no curso é uma oportunidade de crescimento, tanto para ela, quanto para os colegas. "O que a gente aprende, não esquece e vamos levar para o nosso futuro. A gente descobre outras coisas, que nos ajudam", afirma.
O vice-presidente do TRT, Luiz Eduardo Gunter, aposta no potencial de autoestima que a iniciativa pode trazer para os adolescentes e suas famílias. "Queremos dar às crianças oportunidades, um caminho diferente do que é dado, uma perspectiva de profissão, uma atividade para o futuro. Elas terão acesso a informações indispensáveis de cidadania", diz.


