Inclusão abrange presos do semiaberto
Londrina - Prestes a completar um ano de criação, a Coopermudança, que funciona em um barracão na zona norte, deu mais um passo para a garantia de direitos e inclusão social. Na terça-feira, 20 detentos do Sistema Semiaberto de Londrina foram recepcionados pelos cooperados. O catador Osvaldo Darci Pereira, de 61 anos, ficou encarregado de ensinar os novatos. "Logo que chegaram já se enturmaram, são muito educados. A parceria tem tudo pra dar certo", comemorou.
Eles trabalham durante o dia só retornam no final da tarde para o Centro de Reintegração Social de Londrina(Creslon), no Jardim Espanha (zona leste). A maioria dos rapazes com idades entre 20 e 30 anos ficou preocupada em não aparecer nas imagens durante a chegada da reportagem. A exceção foi Leandro Régis da Silva Lima, de 22 anos. Muito empolgado com a chance real de ressocialização, ele garantiu que vai dar um novo rumo à vida. "É um serviço pesado, mas o que importa é que estou trabalhando honestamente."
A presidente da Coopermudança, Adriana Alves, destacou que a cooperativa é mais que uma oportunidade de regressão de pena. "Eles me perguntaram se podem continuar aqui depois que deixarem a prisão. É claro que sim. Serão muito bem-vindos", garantiu. Adriana, que há nove anos sobrevive da reciclagem, admitiu que o primeiro contato com o "lixo" não é fácil. "No começo eu tinha vontade de sair correndo, chorava. Mas depois que você quebra o preconceito, percebe que é um trabalho digno e prazeroso."
A supervisora do Setor de Coleta Seletiva, Viviane Conti, informou, no entanto, que a validade legal da utilização dos detentos na cooperativa ainda é estudada pela Procuradoria Jurídica do Município, mas que a princípio, não existe nenhum empecilho legal na mão de obra carcerária.(C.F.)





