INCLUSÃO - Documentos ainda não são prioridade
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segunda-feira, 05 de maio de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O que pode fazer a diferença na hora de conseguir um emprego? Experiência anterior, formação escolar, especialização. Tudo isso é importante. Só que existem requisitos básicos que significam eliminação em seleções. Um deles é a falta de documentos. Ainda são comuns relatos de jovens que têm dificuldade de obter uma colocação por não ter RG, CPF ou Carteira de Trabalho.
A orientadora de trânsito Claudinéia Justino Ferreira, 20 anos, quase ficou sem a vaga na Zona Azul porque nunca teve o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Só tirou o documento depois de receber orientação da coordenadação do projeto.
A justificativa dela para não contar com o documento era o custo de R$ 5,50. O pouco dinheiro que ganhava como funcionária de um salão de beleza a jovem empregava na compra de fraldas e remédios para o filho Gabriel, de um ano e dez meses. ''Tinha dia que não tirava o suficiente nem para o almoço. Agora o que eu ganho até que está bom. Pretendo trabalhar aqui até fazer 24 anos'', comentou a moradora do Conjunto Milton Gavetti (Zona Norte). A falta de documentos não é novidade na vida de Claudinéia. A identidade ela só tirou em 2006. Um ano antes, havia feito a Carteira de Trabalho. Mas o emprego na Zona Azul é o primeiro registrado.
Direitos
Os pobres não têm preocupação quanto à obrigatoriedade porque a posse de documentos não é garantia de cidadania. A conclusão é resultado de uma pesquisa feita por alunos de Direito da Universidade Norte do Paraná (Unopar) em bairros da periferia de Londrina. Para o professor João Batista Filho, coordenador do trabalho, o documento é uma ''máscara da sociedade'', que não funciona para os menos favorecidos.
''Os entrevistados diziam o seguinte: Eu não tenho 'os papé', mas aquele ali que tem está na mesma situação que eu'', relata o professor. Por isso, segundo João Batista, carteira de identidade e profissional, entre outros documentos, servem apenas para a burguesia.
Muitos dos que não têm documentos nunca tiraram. Outros os perderam. E os pobres não valorizam ter a documentação porque a carteira de trabalho, por exemplo, não garante o pagamento de um salário justo. O documento obrigatório não garante aos pobres direitos fundamentais, como assistência de saúde e jurídica, alimentação e moradia. Por isso, o fato do pobre portar um documento serve para justificar à sociedade que ele também é um cidadão. Só que a cidadadnia, alerta o professor, ''é ter os direitos garantidos pelo Estado e não um papel na mão.''
O trabalho do projeto ''Resgate da Cidadania: Uma Questão de Direito'' da universidade permanece na ativa. Semanalmente, estudantes fazem visitas a bairros carentes, onde fazem palestras. Um dos temas é a cidadania e, inclusive, a importância de possuir documentos.


