INCLUSÃO - Deficientes físicos buscam autonomia no trânsito
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Um caminhão na contramão mudou para sempre a vida da auxiliar de enfermagem Célia de Paula. Em 2001, ela foi atropelada e sofreu uma lesão na sétima vértebra, perdendo o movimento das pernas. Após 60 dias em coma e mais de dois anos de reabilitação, o andador e a cadeira motorizada eram os responsáveis pela mobilidade de Célia dentro de casa e em lugares próximos. Mas ela queria mais: sair da depressão e não depender tanto dos filhos, conquistando maior autonomia.
Com a ajuda deles, comprou um Monza com câmbio automático e fez adaptações no carro para poder dirigir. O acelerador e o freio são movidos por uma alavanca, enquanto um suporte no volante ajuda a dar mais firmeza à direção. Comprado o carro, o próximo desafio era fazer os exames exigidos pelo Detran para adquirir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O único requisito extra para os portadores de deficiência, além das aulas e provas práticas e teóricas, é um exame da extensão da deficiência e a desenvoltura do candidato com as adaptações feitas no veículo.
Foram seis meses desde a entrada nos documentos até o final do processo. Colaborou para a demora o fato de os laudos médicos atestando a deficiência ser emitidos apenas por Curitiba. Depois de 15 aulas práticas, quantidade padrão exigida para quem pretende tirar a carteira, chegou a hora do exame. E Célia não decepcionou, passando logo na primeira tentativa.
''Ali acabou minha depressão. Sempre precisava da ajuda de todos para ir nos lugares, ficava trancada em casa para não incomodar meus filhos. Me sentia isolada do mundo, e a carteira de motorista significou minha independência'', conta.
A caixa Daiane Ferreira Lopes, de 25 anos, ainda enfrenta dificuldades para conseguir a habilitação. Ela se inscreveu em uma auto-escola antes de fazer o exame médico no Detran. Quando o laudo apontou que Daiane precisaria de um carro adaptado para membros inferiores e superiores, ela não pôde fazer as aulas práticas, já que a única das 43 auto-escolas de Londrina, que atende portadores de deficiência, possui carro adaptado apenas para os membros inferiores.
A saída encontrada pela jovem foi emprestar um carro com todas as adaptações exigidas por sua deficiência. Ela quer terminar as aulas práticas o mais rápido possível e acabar com a espera pelo direito de dirigir, que dura desde maio. ''Vai facilitar muito pra mim. É extremamente complicado para quem tem a condição motora limitada andar em Londrina, porque nem todos os ônibus são adaptados e as rampas de acesso são raras'', reclama.
Segundo a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Martinha Clarete Dutra, poucos londrinenses procuram as auto-escolas para tirar a carteira de motorista especial. ''Geralmente, os poucos que conseguem fazem o seguinte: primeiro compram o carro adaptado, aproveitando inclusive os descontos que são oferecidos, para depois dar entrada nos papéis e conseguir o documento''.


