Impossível não se encantar com a pequena Mariana. Impossível também não se comover com o drama da mãe, Gleice Renata Alves, 30 anos, que não contém as lágrimas ao falar da discriminação vivida pela filha, de apenas quatro anos. Deficiente visual desde os cinco meses, devido a complicações de um parto prematuro (a menina nasceu aos cinco meses de gestação), mesmo sem entender direito Mariana já enfrenta uma luta árdua para participar de atividades rotineiras que uma criança da idade dela pode e precisa vivenciar. A inclusão de alunos com deficiência ainda é recente, e em Londrina as primeiras experiências na rede municipal aconteceram em 2000.
Encontrar uma pré-escola foi a primeira dificuldade da família de Mariana. Com um ano e quatro meses, a menina foi matriculada em um berçário, mas a falta de um atendimento especializado fez com que a mãe optasse por outra escola. ''As pessoas não sabiam como lidar com ela. Imaginei que em uma escola maior fosse encontrar uma estrutura melhor''.
O trato com a criança foi melhor, mas a parte pedagógica, segundo a mãe, ''deixava muito a desejar''. ''Não havia material específico'', lembra. Preocupada em priorizar a educação e o desenvolvimento da filha, Gleice buscou ajuda em outras escolas particulares. Muitas recusaram a menina. ''Os diretores alegavam que não tinham crianças especiais na escola e não aceitavam a Mariana porque não sabiam como cuidar dela.''
Hoje Mariana foi aceita em uma escola particular. Ela é a única deficiente visual da instituição, que também atende outras crianças com necessidades especiais. Na própria escola a menina está aprendendo balé, num trabalho de interação que exige dedicação e persistência de professores.
Para a mãe, a preocupação agora é menor. ''Ela está se integrando e a escola está se esforçando para atender todas a necessidades dela'', garante. Durante as aulas de balé, a menina interage com as amiguinhas, que também estão aprendendo a conviver com as necessidades de Mariana.
Além do balé, Mariana pratica natação, judô e, dias atrás, depois de várias tentativas, conseguiu se matricular em um curso de modelo e manequim. A mãe explica que foi muito difícil conseguir os cursos extra-curriculares, apesar da necessidade da filha de fazer atividade física para fortalecer a musculatura. O curso de judô acontece por iniciativa de um professor, que atende apenas crianças especiais.
''É difícil encontrar alguém que saiba lidar com pessoas com necessidades especiais. Quero que a Mariana conheça tudo, esteja integrada e conviva com as outras crianças de uma forma natural. Não quero isolar minha filha só porque ela não enxerga. Ela pode levar uma vida normal e é isso que queremos para ela'', reafirma a mãe.

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