Incineradores vão operar em dez dias
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Simone Mattos 
Apesar da polêmica causada pelo assunto, dentro de dez dias deverão entrar em funcionamento em Curitiba os seis caminhões incineradores de lixo hospitalar, adquiridos pela prefeitura no ano passado. O Ministério Público, através da Promotoria do Meio Ambiente, e o Fórum das Entidades Ambientalistas da Região Metropolitana de Curitiba entraram na Justiça para impedir o funcionamento dos incineradores, mas o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, já concedeu a licença prévia ao sistema.
O diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, Mário Sérgio Razera, explicou que são necessárias três etapas para que o sistema possa ser implantado. A primeira é a licença prévia, concedida há um mês com base no Relatório de Impacto Ambiental (Rima).
A licença de instalação é a segunda fase, já foi solicitada pela prefeitura e deverá ser concedida dentro de uns dez dias, prazo em que o sistema deverá estar adequado ao funcionamento segundo normas impostas pelo IAP, explicou Razera. Segundo ele, a terceira licença é a de operação, concedida imediatamente após a de instalação, e que permite o funcionamento do sistema em Curitiba.
Razera explicou que a licença não apenas autoriza a incineração do lixo hospitalar como regulamenta todo o sistema de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Exigiremos um sistema de controle absoluto, garantiu. Ele afirmou que uma das exigências nesta fase de adequação é a capacitação dos hospitais na separação do lixo, além de um completo monitoramento dos equipamentos.
Razera afirmou que desde que a operação seja realizada de forma correta, a segurança do sistema é total. Os caminhões que custaram aproximadamente R$ 300 mil cada um, foram importados do Japão, onde o sistema já está em funcionamento. Em Curitiba eles irão recolher o lixo em todos os hospitais e depois farão a incineração em pontos pré-determinados.
Nem todo o lixo hospitalar poderá ser incinerado pelos caminhões, esclareceu Razera. Os restos alimentares e soluções metálicas, por exemplo, não poderão entrar no processo. Ele disse que ainda não tem o cálculo da porcentagem de lixo hospitalar que será exterminada pelos incineradores, mas garantiu que o processo aliviará o problema do grande acúmulo de lixo nos aterros de Curitiba.
Teremos mais rapidez, evitaremos o transporte e a permanência do lixo nos hospitais, disse ele. Razera explicou que cada caminhão tem capacidade para incinerar cerca de 120 quilos de lixo por dia.


