Apesar da polêmica causada pelo assunto, dentro de dez dias deverão entrar em funcionamento em Curitiba os seis caminhões incineradores de lixo hospitalar, adquiridos pela prefeitura no ano passado. O Ministério Público, através da Promotoria do Meio Ambiente, e o Fórum das Entidades Ambientalistas da Região Metropolitana de Curitiba entraram na Justiça para impedir o funcionamento dos incineradores, mas o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, já concedeu a licença prévia ao sistema.
O diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, Mário Sérgio Razera, explicou que são necessárias três etapas para que o sistema possa ser implantado. A primeira é a licença prévia, concedida há um mês com base no Relatório de Impacto Ambiental (Rima).
‘‘A licença de instalação é a segunda fase, já foi solicitada pela prefeitura e deverá ser concedida dentro de uns dez dias, prazo em que o sistema deverá estar adequado ao funcionamento segundo normas impostas pelo IAP’’, explicou Razera. Segundo ele, a terceira licença é a de operação, concedida imediatamente após a de instalação, e que permite o funcionamento do sistema em Curitiba.
Razera explicou que a licença não apenas autoriza a incineração do lixo hospitalar como regulamenta todo o sistema de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. ‘‘Exigiremos um sistema de controle absoluto’’, garantiu. Ele afirmou que uma das exigências nesta fase de adequação é a capacitação dos hospitais na separação do lixo, além de um completo monitoramento dos equipamentos.
Razera afirmou que desde que a operação seja realizada de forma correta, a segurança do sistema é total. Os caminhões que custaram aproximadamente R$ 300 mil cada um, foram importados do Japão, onde o sistema já está em funcionamento. Em Curitiba eles irão recolher o lixo em todos os hospitais e depois farão a incineração em pontos pré-determinados.
‘‘Nem todo o lixo hospitalar poderá ser incinerado pelos caminhões’’, esclareceu Razera. ‘‘Os restos alimentares e soluções metálicas, por exemplo, não poderão entrar no processo.’’ Ele disse que ainda não tem o cálculo da porcentagem de lixo hospitalar que será exterminada pelos incineradores, mas garantiu que o processo aliviará o problema do grande acúmulo de lixo nos aterros de Curitiba.
‘‘Teremos mais rapidez, evitaremos o transporte e a permanência do lixo nos hospitais’’, disse ele. Razera explicou que cada caminhão tem capacidade para incinerar cerca de 120 quilos de lixo por dia.

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