A queima de lixo hospitalar volta a ser motivo de preocupação em Curitiba. Ontem pela manhã, um caminhão de incineração queimou uma grande quantidade de resíduos no pátio do Hospital Osvaldo Cruz, chamando a atenção da Central de Movimentos Populares e do Sindsaúde. Segundo as organizações, a fumaça, que estaria sendo liberada de forma irregular e sem controle, é extremamente prejudicial à saúde não só dos moradores próximos ao hospital, mas também dos próprios pacientes e dos funcionários que operam o maquinário. ‘‘Ela é feita todas as quintas-feiras no hospital’’, conta Sarah de Azevedo da ONG ambientalista Associação Xamã. ‘‘Mas há outros pontos, como a Unidade de Saúde de Campo Comprido, onde a queima é feita 24 horas por dia’’. Segundo a Xamã, oito aspectos das normas exigidas para a incineração não estariam sendo observados: falta de impermeabilização, de monitoramento do material químico que sai das chaminés dos caminhões, a altura dessas chaminés, que deve ser de 7 metros, o isolamento da área para a incineração, a falta de técnicos para a operação e de manuais para ações de emergência e a velocidade.
Usados desde 1997, os caminhões incineradores, de fabricação japonesa, são operados em outros sete pontos determinados de Curitiba, além do Hospital Osvaldo Cruz e da Unidade de Saúde de Campo Comprido.
‘‘São todos locais que foram avaliados e onde ficou constatado que não haveria nenhum tipo de dano ao meio ambiente’’, garante a diretora de pesquisa e monitoramento da Secretaria Municipal do Ambiente, Marilza Oliveira Dias.‘‘Medimos também a emissão de poluentes através da fumaça e verificamos que ela está dentro dos padrões considerados como normais. Não há emissão de dioxinas nem de furanos, considerados como tóxicos para a saúde’’.
De acordo com a secretaria é perfeitamente normal a preocupação com o tratamento do lixo hospitalar, uma vez que ele contém os chamados agentes patogênicos, causadores das doenças. ‘‘Mas a incineração’’, completa Marilza ‘‘é feita justamente para eliminar riscos’’.
Segundo os últimos levantamentos feitos são incineradas, por dia, cerca de duas toneladas de resíduos provenientes de 74 hospitais e unidades de saúde de Curitiba. ‘‘Antes todo o lixo tinha que receber um tratamento especial e ficava muito mais difícil o controle. Mas desde que implantamos a incineração e a separação seletiva do lixo, os resultados começaram a ser bem melhores. Apenas 30% do que é produzido precisa ser queimado’’.

mockup