Incidente em escola assusta estudantes
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Marccio W. Varella Marialva 
Marcos NegriniConfusãoPoliciais em meio a crianças na escola: uso de arma inadequada aumentou tensão. Pai de professora foi acusado de jogar carro contra alunosQuarenta alunos da 8ª série da Escola Estadual Felício Bittencourt, de Marialva (a 10 quilômetros de Maringá), abandonaram ontem a sala de aula, deixando sozinha a professora de português Rosângela Aparecida Dallemole, 35 anos, acusada por eles de comportamento agressivo. O dia foi tenso ontem na escola.
Um policial entrou na escola armado de metralhadora e o pai da professora, o agricultor Pedro Dallemole, 60 anos, jogou seu carro contra os alunos que protestavam na frente do colégio. Os pais dos alunos culparam o Núcleo Regional de Educação pelo incidente, que provocou um clima de terror entre mais de 200 estudantes.
A professora Rosângela foi acusada pelos alunos, no início de maio, de maus-tratos e ataques verbais. As reclamações, transcritas em 140 relatórios assinados pelos estudantes, foram levadas ao Núcleo Regional de Educação, em Maringá, pela Associação de Pais e Mestres (APM) e Conselho Escolar. O Núcleo abriu uma sindicância administrativa e enviou o processo à Secretaria Estadual de Educação, em Curitiba, no dia 10 de maio.
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Por causa da gravidade das denúncias (ver texto nesta página), o Núcleo decidiu suspender a professora por 30 dias, antes da decisão da secretaria, e transferi-la para uma escola de Aquidaban (a 15 quilômetros de Marialva).
Anteontem, dia 11, vencida a suspensão, Rosângela retornou à escola e entregou à diretora uma cópia de liminar entregue à Justiça que pedia a anulação de sua transferência.
A diretora da escola, Leonilda Vignotti, nada pôde fazer, pois não tem poder para impedir um professor concursado de dar aula. Tanto Leonilda como o presidente da APM, Gênesi Antônio Bortoloni, sabiam do clima contra a professora que existia entre os alunos. Segundo Bortoloni, o Núcleo está demorando demais para tomar uma decisão.
Rosângela ainda deu aulas na quarta-feira, mas com presença de poucos alunos. Ontem, no entanto, os seus 40 alunos decidiram se retirar da sala. O clima ficou tenso na escola. A diretora chamou o assessor jurídico do Núcleo, Cláudio Palmeira, que pediu a Rosângela para retornar à sua casa até que a situação se normalizasse.
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O assessor foi embora e o movimento contra a presença da professora na escola foi aumentando, com a chegada dos pais de alunos, todos com medo da reação do pai de Rosângela.
Segundo os pais de alunos, Pedro Dallemole já é bastante conhecido no colégio. Maria José Guzo, mãe da aluna Cláudia, da 8ª série, acusa Pedro de andar armado na rua ameaçando os pais que pediram a saída da filha da escola. Ele enfiou o dedo na minha cara, aqui na porta da escola, e me chamou de vagabunda.
Cleonice Prado, mãe do aluno Marlon, também da 8ª série, diz que também foi ameaçada por Dallemole. Ele já cansou de me xingar aqui na porta da escola. Todos sabem que ele anda armado. O homem é um perigo.
O presidente da APM, com medo da reação de Dallemole, decidiu chamar a PM, pelo telefone. A viatura chegou em dez minutos com dois soldados. Um deles entrou na escola armado com uma metralhadora.
Os estudantes, aglomerados na porta da escola com faixas e cartazes, se dispersaram com medo. Muitos entraram para a cozinha da escola, chorando. O outro soldado, José Maria, pediu desculpas, dizendo que ele não podia deixar a arma no carro com tanta criança por perto e decidiu retornar à 1ª Companhia da PM de Marialva.
Durante a manifestação, na frente da escola, Rosângela ficou sentada na sala dos professores, sozinha, sem querer conversar com ninguém. À Folha, ela disse que está sendo perseguida demais da conta. Ela diz que, além de professora de Inglês e Português, também é formada em Direito. O que ocorre é que o pessoal daqui tem inveja de mim porque eu tenho muitos títulos, justificou-se Rosângela.
Ela disse ainda que os alunos deixaram a sala de aula pressionados pela direção do colégio e pelos pais. A diretora garantiu que a decisão de abandonar a sala foi dos alunos.
Depois da confusão, o assessor jurídico do Núcleo Regional de Ensino, Cláudio Palmeira, anunciou que Rosângela seria transferida para outra escola de Marialva, a Romário Martins.


