Especial para a Folha
A incidência da hanseníase entre a população de Curitiba subiu de 1,67 caso para cada 10 mil habitantes em 1997 para 2,33 casos em 1998. Controlada há mais de 20 anos em países de primeiro mundo, a doença continua um problema de saúde pública no País. O próprio Ministério da Saúde teve que adiar para o período entre 2005 e 2010 a meta de controlar a doença com a redução de um caso para cada 10 mil habitantes, prevista inicialmente para o próximo ano. A falta de informação e o preconceito são alguns dos fatores, já que o tratamento é gratuito e dura no máximo dois anos. Quarenta por cento dos pacientes o abandonam.
Segundo a pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) Maria Eugênia Noviski Gallo, 53, as pessoas ainda acreditam que a hanseníase é incurável. ‘‘Há até médicos que não crêem no tratamento.’’ A médica expôs ontem a profissionais de saúde locais a necessidade de se intensificar o controle, através da poliquimioterapia (PQT), que elimina a doença num período de seis meses a dois anos, com a associação de três drogas. A poliquimioterapia começou a ser usada nos centros de referência do País a partir de 1986 e apenas chegou à rede pública em 1993. Defende que com o trabalho ambulatorial é que se terá uma resposta satisfatória, pois os casos serão diagnosticados precocemente. Mas admite que os problemas sócioeconômicos são ainda as principais barreiras. ‘‘ Com o empobrecimento da população, muitos não têm dinheiro para comprar comida e deixam outras preocupações de lado.’’
Doença infecciosa de evolução lenta que ataca principalmente a pele e nervos, além de atrofiar as extremidades do corpo, como dedos, nariz e orelhas, a hanseníase só existe ainda na África, Ásia, Brasil e Índia. ‘‘Não adianta apenas se investir na poliquimioterapia, mas também no trabalho formiguinha de orientação do que os pacientes podem ou não fazer e quais os cuidados. Ela não faz distinção de idade e raça, mas se manifesta principalmente em adultos jovens pois o período de incubação é de cinco anos.

mockup