Curitiba - O inchaço populacional observado nos últimos anos em Curitiba e, principalmente, nos municípios da Região Metropolitana, repercutiu nos indicadores sociais da capital paranaense. Apesar de consagrada como uma das melhores cidades brasileiras para se viver, Curitiba precisa melhorar. Pelo menos é isso que se observa ao comparar o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) da cidade com as outras da Região Sul.
O último dado do IDH-M, divulgado no final do ano passado e referente a 2000, coloca Curitiba na 19 posição nacional, atrás de grandes cidades como Florianópolis e Porto Alegre. O IDH-M de Curitiba é de 0,856. Florianópolis, que ocupa a quarta posição do ranking brasileiro, tem 0,881 e Porto Alegre, na 11 posição, 0,865.
O IDH-M é calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD) e leva em conta o bem-estar da população em determinada cidade. ''A taxa mostra como ficou a situação das famílias decorrente das políticas públicas adotadas. Não indica quantos hospitais e escolas a cidade tem, mas sim como as pessoas conseguem aproveitar esses serviços'', relatou o assessor de desenvolvimento humano do PNUD, José Carlos Libânio.
Na avaliação de Libânio, Curitiba apresenta um bom nível de bem-estar. No entanto, ele diz que a leva populacional atraída para a cidade e municípios próximos, movimento impulsionado nos últimos anos por causa da industrialização, prejudica a qualidade de vida. ''Se há pessoas que chegaram em Curitiba já com um histórico ruim de saúde, elas vão viver menos, porque já trazem isso com eles'', afirmou. Ele disse que o problema fica mais grave porque a infra-estrutura de Curitiba tem que atender a população curitibana, dos municípios próprios e até de regiões mais distantes.
Em municípios menores, a qualidade de vida é melhor, argumentou Libânio. ''Os municípios que estão na frente no ranking são na maioria pequenas cidades sem o impacto de uma região metropolitana, com exceção de Porto Alegre'', observou. ''É muito difícil dar condições de saúde, saneamento e nutrição para uma população grande'', acrescentou Libânio. Mas há exceções e casos de políticas públicas de sucesso em grande populações. A esperança de vida ao nascer do curitibano, por exemplo, é de 71,5 anos. Esse número é semelhante ao registrado na China.

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