Inchaço da RMC favorece violência
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domingo, 02 de julho de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
O inchaço populacional de Curitiba e Região Metropolitana, aliado ao crescimento do desemprego e às dificuldades dos pais em estabelecer limites para seus filhos, são apontados como as principais causas do aumento da violência na Capital. É o ônus da cidade grande, diz o major José Paulo Betes, da Polícia Militar.
Ele acredita que crimes como assaltos a pedestres e motoristas poderiam ser reduzidos se a população registrasse queixa na polícia. Segundo ele, a atuação da PM é baseada em dados estatísticos. Com base em reclamações e denúncias pelo telefone 190, a PM define o tipo e a quantidade de policiamento necessários em cada setor da cidade.
A socióloga Ana Luiza Fayet, que coordenou uma pesquisa sobre juventude e violência em Curitiba, realizada em conjunto com a Unesco entre julho de 1998 e julho de 99, acredita que muitas vezes a polícia está sendo obrigada a substituir os papéis da família e da escola.
A pesquisa mostrou que os pais não conseguem educar e segurar os filhos porque não sabem impor limites. Na escola acontece o mesmo. Os professores sofrem de baixa-estima, não conseguem impor autoridade e acabam até mesmo chamando a polícia para resolver problemas que deveriam ser tratados pela escola, diz.
Para ela, um dado significativo sobre a falta de autoridade e de limite dos pais, revelado pela pesquisa, refere-se ao número de jovens sem carteira de motorista que dirigem com o consentimento dos pais: 11%. No total, foram entrevistados 900 adolescentes de diferentes situações sócio-econômicas e 400 professores e pais. Também foram feitas entrevistas diferenciadas com 250 jovens e 90 pais, professores e policiais.
De acordo com a pesquisa, 55% dos entrevistados já sofreram algum tipo de violência, sendo que a incidência vai aumentando proporcionalmente à idade dos jovens. Entre os garotos de 14 anos, 42% disseram já ter sido vítima de algum tipo de violência contra 66,7% entre os adolescentes de 18 anos. Eles também deixam bem claro que a violência existe e ocupa todos os espaços da cidade, diz a socióloga.
Para ela, entretanto, as causas da violência entre os jovens estão ligadas a três pontos: à falta de limites na família e na escola; na ausência do Estado, que deveria ter uma política séria e consistente para o emprego e o subemprego; e a um estado natural da adolescência, que ela chama de violência lúdica, ou seja, à necessidade de competição entre os jovens.
Para o capitão Roberson Luiz Bandaruk, oficial de planejamento do Comando de Policiamento da Capital, há dois tipos de adolescentes que praticam estes crimes em Curitiba: os menores de rua e jovens de classe média ou alta. Os primeiros atuam por necessidade, mas o segundo grupo age principalmente para conquistar respeito junto à sua turma, obtendo espécies de troféus que demonstrariam sua força frente aos outros.
A empresária Denise Probst, mãe de Tiago, 14 anos, e Felipe, 12, divide-se entre a idéia de pedir maior policiamento no seu bairro ou trabalhar com uma campanha maior, envolvendo toda a comunidade. De acordo com ela, situações de roubo contra adolescentes são cada vez mais comuns no Bigorrilho, Champagnat e Mercês, bairros próximos à sua casa.
O que acontece é que nestas regiões há muitos prédios, e os adolescentes circulam muito a pé, para ir para o colégio, para a aula de inglês, para a academia. Esta meninada só tem tamanho, ainda não é adulta, tornando-se um prato cheio para os maiores, que querem roubá-los, diz. Nesta situação, os pais vivem um dilema, sem saber se permitem que seus filhos andem sozinhos pelas ruas ou se só deixam que saiam acompanhados de casa.


