Incentivo vem das cidades por onde o grupo passa
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sábado, 04 de outubro de 1997
Maringá 
A partir de Nova Esperança, afirma Marqui, o apoio da comunidade em todas as cidades visitadas deu mais impulso aos sem-terra. A gente esperava apoio de sindicato de trabalhadores, partidos políticos e de entidades humanitárias, mas todo mundo está ajudando de alguma forma, diz ele. Em algumas cidades moradores aguardaram a marcha com refeição.
As doações também têm garantido a estrutura necessária para os sem-terra chegarem até Curitiba. A marcha saiu de Querência do Norte com cerca de 2 mil quilos de arroz, mil quilos de feijão e 1,8 mil quilos de carne para, pelo menos, uma semana.
O volume de alimentos doados até a última quarta-feira, avalia um dos coordenadores da marcha, dá para os sem-terra ficarem em Curitiba pelo menos dois meses. A solidariedade tem surpreendido e incentivado a marcha, garante outro líder do MST, Nildemar da Silva.
Ele revela que a situação levou os coordenadores a reprogramarem a caminhada. A meta era chegar em Curitiba entre os dias 15 e 21 de outubro, mas agora não existe mais preocupação com a data. Queremos parar no máximo de cidades possível para levar nossa mensagem, explica. Silva diz que em todas as cidades as rádios, jornais ou até entidades tem dado espaço para o MST divulgar os objetivos da marcha e do próprio movimento.
Até mesmo as prefeituras tem dado apoio. Em todas as cidades onde a marcha chega no final da tarde, os prefeitos cederam o ginásio de esportes para os sem-terra pernoitarem. Trouxemos todo material mas não montamos acampamento nenhuma vez até agora, disse um dos sem-terra, que não quis se identificar. Ele ironiza e diz que tem prefeito até cedendo ônibus para transportar os sem-terra por alguns trechos porque querem se ver livre logo dos trabalhadores.
A meta do MST, segundo Paulo Marqui, é chegar em Curitiba com pelo menos 2,5 mil sem-terra, representando as 11 regionais do movimento no Paraná. Ele diz que em Mauá da Serra pelos menos 250 sem-terra da região de Londrina se juntam ao grupo e em Ponta Grossa a marcha será engrossada por trabalhadores de todas as outras regiões. Vamos montar acampamento na praça do Palácio Iguaçu, mesmo que a polícia tente impedir, garante Marqui.


