Nas instalações da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II) são confeccionadas cerca de 10 mil pastas ao mês, através do trabalho de 20 detentos. Essa ideia de empregar aqueles que cumprem pena funciona há dois anos, por iniciativa de uma indústria local de pastas, catálogos e louças.
''Hoje, vemos como é importante fortalecer ações que dizem respeito ao emprego de presos. Percebemos que muitos estão arrependidos pelo crime que cometeram e demonstram vontade de se reerguer'', diz o gerente da Incorpast, Rossine dos Santos Pacheco Andrade. Além dessa oportunidade, a empresa já contratou três egressos (aqueles que saíram em liberdade) para trabalharem na sede da indústria.
Andrade é um dos empresários que estiveram presentes na Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, ontem pela manhã, participando do lançamento do Movimento Mãos Amigas, que tem como objetivo sensibilizar empresários do município e região, no sentido de disponibilizar vagas de trabalho para os presos em regimes semi-aberto, aberto e egressos.
''A VEP junto com a Corregedoria dos Presídios iniciou o movimento em continuação ao Programa do Conselho Nacional de Justiça, para interagir a sociedade com a questão e quebrar o estigma existente em relação à população carcerária'', diz a juíza titular da VEP, Márcia Guimarães Marques da Costa.
De acordo com ela, existem hoje em Londrina cerca de 2,5 mil presos e muitos deles estão empregados através das empresas instaladas dentro das unidades penitenciárias. ''Essas empresas têm incentivos fiscais. As que estão instaladas nas unidades pagam para o preso parte de um salário mínimo e 25% ficam dentro da unidade, mas elas não têm encargos fiscais, então isso é um grande estímulo'', afirma.
A VEP também pretende criar uma bolsa de emprego, pois acredita que só assim, com o preso empregado, os índices de reincidência criminal cairão.
''A ideia é fazer um chamamento para que os empresários procurem a Vara de Execuções Penais, cadastrem a sua empresa ou entidade para dar emprego aos apenados. Entendemos que a questão da segurança pública é mais complexa. Não basta apenas o policiamento ostensivo e preventino nas ruas. Nós temos que nos preocupar com aqueles que erraram, estão cumprindo pena, mas que daqui a pouco estarão em liberdade e precisarão ter uma oportunidade de trabalho, sob pena de voltar o ciclo da violência'', ressalta a secretária de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), Maria Tereza Uille Gomes.
Segundo ela, através da conscientização do empresariado, seja do comércio ou da indústria, será possível desmistificar a questão de que o condenado não pode ser reinserido. ''Nossa meta é ter 100% dos presos estudando e trabalhando até o final da gestão. Para isso, temos que valorizar os bons exemplos, fazendo com que o empresariado quebre a resistência e entendam que isso é possível'', salienta.
O nome e a logomarca do Movimento Mãos Amigas sugerido pelos próprios presos que participaram da escolha por meio de uma consulta feita nas três Unidades Prisionais de Londrina - PEL, PEL II e CCL.
A Câmara Municipal está apoiando o movimento, através do Projeto de Lei ''Amigos da Sociedade Londrinense'', em que pessoas jurídicas que contratarem egressos e sentenciados acautelados receberão um certificado de reconhecimento, no mês de dezembro.
Clínicas públicas
Também foi formalizado à secretária o pedido de clínicas públicas para tratamento de dependentes químicos e usuários de drogas. A juíza da Vara de Execuções Penais (VEP), Márcia Costa, explicou que a maioria dos presos entra para a criminalidade através da droga. ''Eles começam com pequenos furtos e tendem a aumentar esses crimes. Por isso, pedimos junto ao governo do Estado a instalação de clínicas públicas com tratamento ambulatorial e internamento'', justificou.
Maria Tereza ressaltou que a secretaria de Estado da Saúde já trabalha com a ideia da construção de unidades de internação para casos graves de drogadição e a secretaria da Justiça está trabalhando na construção de um modelo, buscando consórcios municipais que tenham interesse em residências/abrigo.
''É uma nova legislação aprovada pela Anvisa e que não engloba necessariamente só a área de saúde, mas também pessoas voluntárias que tenham interesse em formar consórcios municipais e que possam contribuir na questão de drogadição'', afirmou.

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