Incentivo ao uso do táxi à noite
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segunda-feira, 14 de março de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
Criar uma cultura do uso de táxi durante a noite por frequentadores de bares e restaurantes para reduzir o número de acidentes de trânsito e fomentar a atividade. Esse é o objetivo de uma proposta discutida por taxistas e o Ministério Público do Paraná, em Londrina.
A intenção é firmar uma parceria com estabelecimentos noturnos, hotéis e promotores de eventos para que os clientes desses lugares paguem bandeira 1, mesmo durante a noite. A ideia será apresentada hoje para representantes do trade turístico.
De acordo com o promotor de Justiça Paulo Tavares, a intenção é testar a iniciativa durante a ExpoLondrina, que ocorre de 7 a 17 de abril, no Parque Ney Braga (zona oeste). "A ideia é dar visibilidade durante a exposição, envolvendo os hotéis, mas queremos que ela seja duradoura para que possamos reduzir a violência no trânsito", disse o promotor.
Os dados do Placar do Trânsito, divulgado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mostram que em janeiro o número de acidentes aumentou de 265 para 287, em relação ao mesmo período do ano passado. O número de vítimas também cresceu de 313 em 2015, para 335 este ano.
O mestrando do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Paraná (UEL) Laércio Voloch, está pesquisando a espacialização dos acidentes de trânsito em Londrina entre 2010 e 2014 e constatou que há uma elevação dos acidentes com maior gravidade nos fins de semana, principalmente durante a madrugada.
"Quando comparamos os dados por hora, percebemos que os acidentes entre as 20h e 23 horas correspondem a 5% das ocorrências. Tem uma queda entre as 23 e 24 horas (3%), da meia-noite até 1 hora da manhã (2%) e até as 6 horas da manhã a média é de 1%. Pode parecer pouco, mas quando comparamos com a gravidade dos acidentes, aqueles com risco de morte ou que a vítima morreu, fica nítido que há um pico entre 1 e 3 horas e a faixa etária das vítimas é abaixo de 35 anos", comentou o mestrando. Ele também enfatiza que em grande parte os atropelamentos na região de bares próxima da UEL, na zona oeste, estão relacionados com frequentadores dos bares.
O presidente do Sindicato Autônomo dos Condutores de Táxis Rodoviários de Londrina, Antônio Pereira da Silva, afirmou que a proposta foi fomentada no Conselho Municipal de Turismo. "Queremos fazer parceria com os promotores de eventos e os estabelecimentos. Os clientes informam na Radiotaxi que vão naquele bar, lanchonete ou no Ney Braga, por exemplo, e o taxista vai cobrar a bandeira 1", explicou Silva.
Com a iniciativa, o sindicato acredita que o usuário terá uma economia em torno de 12% no valor da corrida e os taxistas devem ter um incremento de 40% no volume de trabalho. A bandeirada custa R$ 5,40, o quilômetro rodado na bandeira 1 sai por R$ 3 e na bandeira 2 R$ 3,30. Hoje, a média é de 45 mil corridas por mês durante as 24 horas. "É uma medida boa para o taxista, para o empresário e para o passageiro", disse o presidente.
ATRATIVO
Apesar de ser ainda ser embrionária, a proposta dos taxitas é bem vista. O presidente do Londrina Convention Bureau e diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Norte do Paraná, Arnaldo Falanca, afirmou que a entidade apoia a iniciativa e que é "possível fazer um bom trabalho", mas que o sucesso dela depende de sua divulgação, do tempo de espera do táxi e do preparo dos taxistas.
Para o presidente o Sindicato dos Hotéis, Restaurante, Bares e Similares de Londrina, Alzir Bocchi, isso seria um atrativo a mais para os hóspedes dos hotéis e deve incentivar as pessoas deixarem o carro em casa e assim diminuir o risco de acidentes. "É uma facilidade e economia a mais para os nossos hóspedes e incremento ao taxista que vai fatura um dinheiro a mais. Todo mundo sai ganhando. E trará mais segurança no trânsito, sem ninguém dirigindo alcoolizado."
"Qualquer proposta que facilite a locomoção é louvável. Neste momento de maior dificuldade econômica temos que rever os conceitos e pensar fora da caixa", afirmou Nivaldo Benvenho, diretor comercial da Sociedade Rural, organizadora da ExpoLondrina, que aguarda o convite para reunião para entender melhor a proposta.


