Incentivo à doação de leite materno
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O estoque do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário (HU) de Londrina está no limite. Desde o fim do ano passado, a unidade sofre com a redução no volume das doações. Hoje, a quantidade processada pelo banco é suficiente para apenas uma semana.
O leite materno doado amamenta as crianças internadas na unidade de terapia intensiva (UTI) Neo-natal e pediátrica do HU e de hospitais da região. Com a redução do estoque, algumas crianças são alimentadas com fórmulas.
De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano, enfermeira Márcia Benevenuto de Oliveira, a queda no volume de doações é cíclico, mas este ano o período está maior. "As mulheres doam por períodos muito curtos. Algumas por seis meses ou um ano. Então, precisamos sempre de novas doadoras", comenta Márcia.
A enfermeira explica que o setor está trabalhando com estoque mínimo. "Calculamos um estoque para uma semana. Isso é muito ruim. O ideal seria conseguirmos trabalhar com quantidade para 15 dias ou até três semanas."
Para incentivar a doação e marcar o Dia Internacional de Doação do Leite Humano, comemorado hoje, desde o ano passado, o Paraná instituiu a Semana de Doação de Leite Humano.
Em média, o Banco de Leite do HU recebe 146 litros mensais e conta com 74 doadoras. Mulheres como a fisioterapeuta Adriana Yuki Zumi, de 32 anos, mãe do Caio, de 2 anos e 11 meses; e do Enzo, de cinco meses. Esta é a segunda vez que Adriana doa leite para o banco do HU. A primeira experiência foi durante a amamentação do Caio. O menino mamava bastante e ela tinha uma grande produção de leite. O excedente tinha como destino as crianças internadas no HU.
"Se não doasse teria que jogar fora e leite materno não é algo que você compra no mercado. É um alimento único e raro. Não é toda mãe que pode amamentar seu filho e não doar é como jogar comida no lixo", diz Adriana.
A vontade de ser doadora começou antes da gravidez. Ela trabalhou um período na UTI Pediátrica do HU e acompanhou o drama das crianças que precisavam ganhar peso para se recuperarem. "O leite materno ajudava elas a ganharem peso e pensava: quando eu tiver um filho eu vou doar".
Ela recebeu orientação da equipe do Banco de Leite para fazer as coletas e armazenamento do leite. A experiência foi tão gratificante que a fisioterapeuta está repetindo com o filho Enzo. "É um leite que não vai faltar para o meu filho. Quanto mais eu doo, mais eu produzo. É uma doação com destino certo", comenta Adriana.
Ela armazena em torno de 1,5 frasco por semana. "É muito fácil retirar o leite. Faço a ordenha manual e é algo que não consome mais do que 10 minutos do meu dia. É algo gratificante. Você está amamentando seu filho e ajudando alguém. Tem gente que doa roupa ou brinquedos, eu doo leite."


