Marcelo AlmeidaMais de 200 produtores culturais, artistas de teatro, música e pintura entram na fila da lei de Incentivo à Cultura. Projetos serão analisados por ordem de chegada Hoje, às 8 horas, será dada a largada para os produtores culturais, artistas de teatro, música e pintura interessados na lei de incentivo da Prefeitura de Curitiba. Acampados desde quinta-feira em frente ao prédio, mais de 200 candidatos vão disputar um naco dos R$ 4,3 milhões destinados aos projetos.
Para evitar tumultos foram distribuídas senhas por ordem de chegada. Uma comissão informal, criada pelos próprios artistas, terá representantes fiscalizando a entrega dos documentos no balcão do protocolo. ‘‘A sacanagem está no ar’’, justificou o ator e diretor Gilberto Bastos, um dos membros da comissão.
Marcelo AlmeidaCríticaGilberto Bastos, membro da comissão: ‘A sacanagem está no ar’A tensão é inevitável. Para isso contribuiu a própria ação dos produtores que formaram uma espécie de ‘‘pool’’ e foram para a porta da Prefeitura com um número incontável de projetos. Na sexta-feira à tarde, o ator Guilherme Weber representava vários produtores e detinha nada menos do que 35 trabalhos.
Como os trabalhos serão julgados por ordem de chegada e calcula-se que apenas 100 serão beneficiados, bastava meia dúzia de representantes para fechar o círculo. ‘‘O que atrapalha são três ou quatro produtores que querem ser donos da cidade’’, criticou Gilberto.
No final da tarde de sexta-feira houve uma ‘‘revolução branca’’ entre os acampados, para tentar abrir a possibilidade a um maior número de profissionais. Foi quando criou-se a comissão fiscalizadora.
Marcelo AlmeidaQue recepção!Silvanah veio de Portugal para enfrentar fila em CuritibaA primeira medida foi fazer com que os representantes de cada projeto viessem à fila, acabando com o chamado ‘‘pólo de produtores’’. Automaticamente ocorreram desistências.
O grupo conseguiu ainda um encontro com representantes da prefeitura, entre eles o presidente da Comissão de Mecenato, Antônio Mileck, o secretário da Comunicação Social, Fabiano Braga Cortes, e o chefe da segurança. A reunião durou duas horas, tempo suficiente para que todas as queixas fossem apresentadas, embora no momento as leis não possam ser mudadas.
Engrossando a fila, no final de semana, estava a atriz Silvanah Santos, do Grupo Satyros, que veio de Portugal para trabalhar num espetáculo local. Deixou a Europa para enfrentar fila em Curitiba.
Elói Pires Ferreira, cineasta, o terceiro da fila, graças ao ‘‘pólo de produtores’’, conseguiu a senha de número 16. Estará entregando um único projeto, o curta ‘‘Polaco de Nhanha’’.
O ator e autor teatral César Almeida perguntava-se sobre a reinauguração do Teatro da Classe, que teve o nome mudado para ‘‘José Maria Santos’’. ‘‘Reinauguram o Teatro da Classe, mas cadê a classe? Está acampada para poder trabalhar. É uma grande ironia’’.

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