Imagem ilustrativa da imagem INCENTIVO - Qualidade de vida, saúde e economia
| Foto: Anderson Coelho
"Decidi encarar o desafio e limpei a horta", conta Maria Aparecida Fonseca, que reativou a horta do Jardim Paraíso



Doze famílias trabalham na horta comunitária do Conjunto Mister Thomas (zona leste de Londrina). São 30 canteiros, onde são produzidos em média cinco mil pés de hortaliças a cada 90 dias. O local é bem organizado e liderado de perto pelo aposentado José Batista da Cunha, de 64 anos, seu Zequinha. "Se falar José Batista ninguém conhece", brincou.
Ele está na horta desde a inauguração em novembro de 2011 e anota em um caderninho os nomes de cada participante e os interessados em um canteiro. "Tem fila de espera", revela seu Zequinha. Ele tem três canteiros que abastece a cozinha de casa e também garante o custeio da horta.
A água vem de duas minas no terreno, mas o consumo de energia é alto para fazer as bombas funcionarem. No início, Zequinha batia de porta em porta para arrecadar dinheiro para pagar a conta de energia elétrica, comprar materiais para manutenção da horta. Agora, resolveu fazer um caixa. Cada família colabora com R$ 3,50 por mês. "O prefeito não toca a cidade sem dinheiro, toca? Aqui é a mesma coisa."
Já Maria Catarina Pereira, de 71 anos, começou a plantar em abril deste ano. Conta que estava fazendo regime e precisava comer muita verdura, então pediu um canteiro para seu Zequinha. "Moro longe para ir comprar todo dia e no mercado nem sempre elas estão bonitas, sem falar que está caro."
O cultivo ajuda, não só no bolso, mas na saúde de dona Catarina. "O médico pediu para eu fazer exercício. E aqui a gente cava, rega as plantas, está sempre se esforçando. Para a saúde é ótimo."
A horta virou espaço de brincadeiras para os filhos da dona de casa Alessandra Cristina Capobianco da Silva, de 33 anos. A filha Júlia, de 3 anos, tem até um regador para ajudar a mãe a molhar as plantas. O mais velho, Ruan, de 10 anos, adora mexer na terra. "Hoje, as casas não têm mais espaço para as crianças brincarem na terra. Por isso, sempre trago eles."
Toda a verdura consumida na casa de Alessandra vem da horta comunitária. Quando ela não tem algum produto em seus canteiros, compra dos vizinhos. "Acho que desde que vim para cá, há um ano e meio, nunca mais comprei um alface no mercado."

RETOMADA
Na zona norte, a horta do Jardim Paraíso estava abandonada até a aposentada Maria Aparecida Martins Fonseca, dona Cida, de 63 anos, decidir abraçar o lugar. Hoje, quatro pessoas cuidam de 39 canteiros. "Quando acabaram as mudas doadas pela Prefeitura o pessoal abandonou. Um dia vim na academia ao ar livre e resolvi pedir um canteiro para mim. Decidi encarar o desafio e limpei a horta", recorda-se.
A produção é para consumo e o excedente é vendido e doado. "Duas ou três vezes por mês mandamos verduras para a creche". A horta é pequena e a água é fornecida pela Sanepar. Para driblar o consumo alto e reduzir a conta no fim do mês, eles utilizam uma cobertura morta doada pela Copel. "Isso segura a umidade e podemos ficar até dois dias sem precisar regar", conta.
Cida trabalha na horta duas vezes por dia. Para ela é uma terapia. "Quando me aposentei comecei a ficar desesperada dentro de casa. Agora acabou o estresse, acabou a ansiedade."

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