A estiagem que atinge o Paraná tem preocupado não apenas pelos prejuízos na agricultura ou pelos danos à saúde da população. A falta de chuva e os ventos têm propiciado o aumento de incêndios em vegetação. Em Londrina, somente nos últimos dois dias, o Corpo de Bombeiros atendeu a pelo menos 10 ocorrências na área urbana, a maioria em terrenos baldios. ''Tem gente que não aguenta ver um mato seco e já quer colocar fogo. Com as atuais condições do tempo o fogo logo se alastra podendo colocar em risco a vida da população'', alerta o sargento Flávio Marques de Oliveira.
Segundo a Defesa Civil do Paraná, apenas no último final de semana foram atendidos 249 casos. O total de incêndios debelados no mês de março ficou em 1.017. A comparação fica ainda mais preocupante quando verifica-se que durante todo o mês de março do ano passado foram 746 incêndios em vegetação. ''Estes números referem-se apenas a 98 dos 399 municípios paranaenses atendidos pelo Corpo de Bombeiros. Ou seja, há muitos casos não registrados, como o de incêndios em propriedades rurais. Como há previsão de chuva forte apenas para maio vivemos uma situação de insegurança provocada por uma decisão irresponsável de pessoas que insistem nesta prática'', aponta o chefe da seção operacional da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná, tenente Eduardo Gomes Pinheiro.
''As queimadas atingem a fauna e flora, poluem o ar, alteram a cobertura vegetal, agravam doenças respiratórias, diminuem a qualidade de vida, geram condições para acidentes, desabastecem a rede elétrica, além de mobilizarem os bombeiros para desfazer aquilo que não deveria ter sido feito'', cita Pinheiro.
O hábito é cultural, e a Defesa Civil tem intensificado atividades de conscientização, como a Mata Verde, conselho que reúne 20 órgãos públicos com o objetivo de reduzir os focos de incêndio e implantar políticas preventivas, ''A população deve limpar seu terreno, ao invés de queimar a vegetação'', orienta sargento Flávio.

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