Londrina - "Com esse calor, nós temos que dormir com a janela fechada por causa da fumaça. É insuportável", reclama Eliete Lemes, que mora ao lado do Ecoponto do Jardim Santa Rita 5, na zona oeste de Londrina. Ontem de manhã, a FOLHA esteve no local e constatou o resultado de uma queimada.
A densa fumaça se espalhava pela vizinhança, incomodando até quem trafegava de carro pela rua. De acordo com Eliete, a prática de queimar o lixo é comum no local. "É todo dia, a qualquer hora. Imagine como é morar ao lado de um lugar desse", desabafa.
Esta semana, os três ecopontos em funcionamento na cidade, ou seja, os que têm autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), registraram focos de incêndio. Segundo Gilmar Domingues, diretor de Operações na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), anteontem foram recebidas denúncias de incêndios nos ecopontos dos jardins Santa Rita 5 e Primavera (zona Norte).
Na noite de quarta-feira, o ecoponto do Jardim Nova Conquista (zona leste) foi tomado pelo fogo, que avançou pela madrugada e até a manhã de ontem registrava focos localizados. "Montamos uma estratégia, espalhando o material em combustão e cobrindo com terra proveniente da Central de Tratamento de Resíduos (CTR). Além disso, há o trabalho do Corpo de Bombeiros, que tem utilizado uma carreta de 30 mil litros de água para umedecer", ressalta.
A estimativa é que 600 metros cúbicos de lixo tenha pegado fogo, ou seja, cerca de 100 caminhões. Ao todo, a CMTU calcula que o espaço acumule cerca de 300 caminhões de entulhos. Pelo risco devido à queimada, o local foi interditado. A orientação, de acordo com Domingues, é que a população não faça o descarte até que a situação se restabeleça.
"A gente ficou morrendo de medo que o fogo avançasse porque as chamas estavam altas demais", lembra a dona de casa Tânia Brito, que mora há 13 anos ao lado do ecoponto. "Tudo me incomoda. O mau cheiro, os bichos e insetos, o trânsito de pessoas carregadas de lixo e principalmente a fumaça das queimadas", reclama.
O mesmo lamento é relatado por Suelen Andrade, moradora do Jardim Primavera. O ecoponto está localizado em frente à sua residência. "Todo dia eu penso em me mudar daqui, mas ainda preciso vender essa casa. Para você ter ideia, já houve dias em que precisei sair para não aspirar a fumaça do lixo", diz ela, que já cansou de acionar os órgãos públicos. "Uma vez por mês, a CMTU vem recolher um pouco do entulho, mas não é suficiente. Esses ecopontos tinham que acabar, mas acho que nem o poder público sabe mais o que fazer", salienta.

PEVs
Implantados no município em 2009, os sete ecopontos tinham o objetivo de receber entulhos como galhos e restos de construção civil, de pequenos geradores, evitando que esses resíduos sejam despejados em praças, avenidas e fundos de vale.
A proposta, no entanto, não funcionou. Atualmente, três ecopontos têm licenciamento ambiental para funcionar, contanto, porém, que se transformem em Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) futuramente.
Além do dever do poder público em fiscalizar, autuar e fazer a manutenção desses espaços, é preciso que a população se conscientize. Mas isso também não ocorre. Hoje, em todo o município, são mais de 250 pontos irregulares de descarte, o que dificulta muito a eficiência do trabalho da CMTU. É algo que se tornou fora do controle. Basta "rodar" pela cidade para flagrar alguém jogando lixo em qualquer lugar.
Com tantas discussões, criou-se o "Projeto Lixo Zero" que inclui a implantação dos PEVs. "A estimativa é que cada PEV tenha o custo de implantação em torno de R$ 60 mil, que contempla área cercada, baias para resíduos de forma segregada, como espaços para lâmpadas, para linha branca, podas, entre outros, além de guarita para controle. É um dispositivo que poderia, se não resolver o problema, amenizá-lo", afirma o diretor de Operações da CMTU, porém, sem estipular prazos. "Ainda faltam os recursos", justifica.

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