Marcos BorgesConclusãoLuciano Bucharles: ‘Se houvesse dúvidas, no laudo constaria que a causa do incêndio foi indeterminada’

Saiu terça-feira, por volta do meio-dia, o laudo do Instituto de Criminalística de Londrina sobre o incêndio na edícula na rua Tremembés, em frente ao Cemitério Padre Anchieta, jardim Ideal (zona leste). O incêndio aconteceu na última sexta-feira, por volta das oito horas da manhã, e causou a morte da garota Amanda Mayara Cardoso Oliveira, de quatro anos de idade. Pelo laudo técnico, assinado pelo chefe do Setor de Engenharia Legal do Instituto de Criminalística, Luciano Bucharles, o incêndio foi acidental.
Os peritos descartaram qualquer hipótese de que o fogo tenha sido provocado criminosamente. Também foram afastadas algumas possíveis causas, como curto-circuito ou presença de material combustível.
Outro detalhe apontado pelo laudo do Instituto de Criminalística é que o corpo de Amanda foi encontrado sobre a cama, e não embaixo dela, como foi divulgado pela imprensa. Por isso, é provável que a garota tenha perdido a consciência e morrido por asfixia antes de o corpo ser alcançado pelas chamas - o laudo do Instituto Médico Legal deve sair em cerca de 10 dias aproximadamente e apontará a causa exata.
O laudo da Criminalística também constatou o local exato onde começou o fogo: foi sobre um armário, na cozinha, ao lado da porta que dava acesso ao quarto de Amanda. A situação piorou com o rompimento da válvula de segurança do botijão de gás, que liberou o gás e acelerou a propagação das chamas. Outros detalhes: a pintura da casa foi feita a óleo (mais inflamável) e a válvula do botijão estava virada para o lado em que o fogo começou.
Sobre o motivo que causou o início do fogo, no entanto, os peritos do Instituto de Criminalística não chegaram a uma conclusão definitiva. Segundo Luciano Bucharles, a avaliação do Instituto é técnica e não existem dúvidas de que o incêndio tenha sido causado acidentalmente. ‘‘Um incêndio intencional deixa uma série de vestígios, como por exemplo focos múltiplos ou rastilhos (caminho de rato feito com líquido inflamável). Nada disso foi encontrado’’, aponta. ‘‘E se houvesse dúvidas, no laudo constaria que a causa do incêndio foi indeterminada.’’
O delegado do 2º Distrito Policial de Londrina, Antônio de Oliva Zuba, que conduz o inquérito sobre o incêndio no jardim Ideal, diz que vai anexar os laudos da Criminalística e do IML às investigações feitas pela Polícia Civil para encerrar o inquérito e enviá-lo ao Fórum. Segundo ele, o relatório vai sugerir à Procuradoria que o processo seja arquivado.

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