O laudo do Instituto de Criminalística mostra que o incêndio que destruiu na madrugada do dia 27 de maio, um dos prédios mais antigos de Curitiba, da tradicional família Hauer, foi mesmo criminoso. Mas os detalhes sobre o documento estão sendo mantidos em sigilo pelo instituto e pela Polícia Civil, responsável pelo inquérito, que apura as responsabilidades pelo incêndio.
O delegado-adjunto da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, Carlos Roberto Moreno, diz que o resultado do laudo só será divulgado quando for concluído o inquérito. ‘‘Falar agora só atrapalharia, porque teremos que fazer novas investigações’’, explica. A polícia está investigando o caso desde maio e este mês solicitou à Justiça mais uma prorrogação de prazo para o andamento dos trabalhos. Até ontem, ele não havia recebido a resposta, mas calcula que será entre 30 e 60 dias.
O prédio que incendiou foi construído em 1888 ao lado da Catedral Basílica Menor, no centro da cidade. Durante mais de um século ele abrigou a Irmãos Hauer Ferragens. Por essas características, o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Municipal.
Como o edifício era muito antigo, chegou-se a pensar que o fogo teria sido provocado por um curto circuito. Mas não foi descartada a possibilidade de um incêndio intencional. O prédio é alvo de briga entre a família Hauer. Pouco tempo antes do incêndio, Haroldo Hauer, um dos donos do prédio, tinha entrado na Justiça com ação de despejo junto à 7ª Vara Cível de Curitiba contra a loja Irmãos Hauer Ferragens, que pertence ao irmão dele, Ralph Hauer. Haroldo conseguiu retirar a loja, alegando que o irmão não pagava o aluguel há mais de um ano. Os dois irmãos são netos de Francisco Hauer, um dos primeiros imigrantes alemães de Curitiba.
Haroldo Hauer prefere não comentar sobre o laudo. ‘‘Se o incêndio foi mesmo criminoso, só tenho a lamentar’’, diz. Ele explica que não tem acompanhado o trabalho da polícia na busca de dados que comprovem o que provocou o incêndio.
Segundo ele, na época a expectativa era de que a investigação terminasse em um mês e até agora nada foi definido. Hauer lamenta que o fogo tenha lhe tirado um rendimento de R$ 1,8 mil por mês.
O delegado Carlos Moreno diz que até o momento já ouviu algumas pessoas que moram perto do prédio e ex-funcionários da empresa da família. Um deles foi Orlando Romero, que morava no andar superior do prédio. Com a ação de despejo movida por Haroldo Hauer ele teve que se mudar, saindo da casa às 23h30, cerca de quatro horas antes do incêndio ter começado. A polícia deve ouvir ainda comerciantes da região.

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