Incêndio mata oito de mesma
Incêndio mata oito de mesma família
Barraco, na periferia de Nova América da Colina, foi consumido rapidamente pelo fogo; uma das vítimas estava grávida
Telma Elorza e
Lucilia Okamura
De Londrina
Paulo WolfgangRIXATerezinha Martins é a principal suspeita de ter ateado fogo na casa da vizinhaUm incêndio em um barraco de madeira matou oito pessoas de uma família de bóias-frias, na madrugada de ontem, em Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio). Entre as vítimas estavam dois adultos, sendo um deles uma mulher grávida de dois meses, e seis crianças com idade entre 2 meses e 5 anos. A principal suspeita do crime, Terezinha Martins, 39 anos, está detida em Assaí. Ela nega ser a autora do incêndio.
Segundo informações dos bombeiros, a corporação recebeu a comunicação do incêndio por volta de 1 hora. De acordo com o sargento Benedito Domiciano, a viatura chegou ao local cerca de 20 minutos depois, mas o fogo já havia consumido o barraco de 20 metros quadrados, feito de madeira e coberta com telhas e lona plástica. O barraco estava localizado na favela do bairro da Mina.
Paulo WolfgangDORMaria de Fátima, mãe e avó das vítimas, e Josiane da Silva, que perdeu 3 filhos Três moradores haviam saído e foram chamados por vizinhosO bairro é afastado do centro e os vizinhos tiveram que andar muito para conseguir ligar para nós, explicou sargento Domiciano. Quando chegamos, só puderam fazer o resfriamento das casas vizinhas, o rescaldo e a localização das vítimas, explicou. Para ele, o tempo seco, o vento forte e os materiais empregados na construção do barraco colaboraram para que o fogo se alastrasse rapidamente.
O sargento Domiciano observou que um dos corpos estava próximo à entrada do barraco. A impressão é que as vítimas tentaram sair do barraco mas não conseguiram. As chamas devem ter tomado a única entrada e saída do local, disse. Peritos do Instituto de Criminalística de Londrina estiveram no local para apurar as causas do incêndio.
As vítimas são Maria Aparecida da Silva, 20 anos, grávida de três meses, seus filhos Erivaldo Luís, 5 anos, Gislaine Aparecida, 3 anos, e Wiliam, 2 anos. Também morreram no local o sogro de Maria Aparecida da Silva, Anselmo Mendes da Silva, 47 anos, e as crianças Gilmar Cardoso, 3 anos; Luiz Carlos Cardoso Júnior, 2 anos; e Jordan da Silva Cardoso, de dois meses. Os corpos foram enterrados ontem no cemitério de Nova América.
As três últimas vítimas eram filhos da irmã de Maria Aparecida da Silva, Josiane da Silva. Agora coloco tudo nas mãos de Deus, não sei o que vou fazer da vida, disse Josiane da Silva, que se salvou porque havia saído do barraco, junto com a mãe, Maria de Fátima, e o marido da irmã, Wilson da Silva.
Maria de Fátima da Silva contou que ficou sabendo do incêndio pelos vizinhos. Quando chegamos lá, já estava tudo queimado, lamentou. Ontem à tarde, ela estava na delegacia de Assaí, onde foi prestar depoimento, e disse que não sabia nem onde iria passar a noite. Perdi tudo, a família, minhas roupas, meus documentos, afirmou.
O delegado de Assaí, Maurílio Antonio Avelar, responsável pelo inquérito, autuou Terezinha Martins por homicídio qualificado. Ela nega, mas tudo leva a crer que foi ela mesmo, afirmou.
Segundo o delegado, testemunhas disseram que, há uma semana, Terezinha Martins se desentendeu com Maria Aparecida da Silva. Por causa disso, ela ateou fogo nas roupas da vítima. A história é confirmada por Maria de Fátima da Silva. Depois da discussão, a Terezinha disse que ia se vingar.
Moradores de Nova América da Colina estavam revoltados com o crime e, segundo o delegado, teriam comentado que iriam linchar a acusada. A vinda dela para Assaí foi providencial. Aqui ela estará segura, afirmou. (Colaborou Edna Mendes)
Não fui eu, estou com
a consciência tranquila
A bóia-fria Terezinha Martins disse estar com a consciência tranquila e negou que tivesse provocado o incêndio que resultou na morte de oito pessoas. Só Deus para ver que não fui eu, ressaltou. Você acha que eu ia fazer alguma coisa contra aquelas crianças inocentes?, questionou.
Durante entrevista à Folha, Terezinha Martins chorou muito. Ela confirmou que, há uma semana, teve uma discussão com Maria Aparecida da Silva, uma das vítimas. Ela disse que eu tinha roubado um litro de óleo, mas é mentira, afirmou. Para se vingar, a bóia-fria disse que ateou fogo nas roupas de Maria Aparecida, usando óleo diesel. Mas eu coloquei fogo longe do barraco.
A casa de Terezinha Martins fica a cerca de 100 metros do barraco queimado. Ela contou que estava dormindo e acordou com um barulho estranho. Abri a janela e vi o fogo, mas logo depois percebi as pessoas chegando, argumentou. Ela disse que não tomou a iniciativa de ajudar com medo de represálias. As pessoas iam me acusar, fiquei apavorada, justificou.
A acusada morava na casa com uma filha de quatro anos. Agora a menina está com uma irmã minha, contou. (L.O.)





