TRAGÉDIA Incêndio mata 4 crianças em Maringá Mãe saiu para buscar ajuda e, quando voltou, o fogo já havia consumido a casa; avô ficou ferido tentando um salvamento Fotos Marcos NegriniCINZASA casa ficou completamente destruída; corpos dos quatro meninos foram enterrados ontem mesmo em MaringáA mãe Rita Aparecida de SouzaJoão Lucas, 4 anosJohn Maike, 6 anosJosé Mateus, 2 anosAlessandro, 14 anos Lucinéia Parra De Maringá Quatro crianças morreram carbonizadas em um incêndio ontem de madrugada na casa do aposentado João Abel de Souza, 76 anos. O incêndio só foi percebido às 3h45 por Souza – avô das crianças – e pela filha dele, a empregada doméstica Rita Aparecida de Souza, que também dormia na casa. Três crianças eram filhos de Rita Aparecida e um era sobrinho dela. O avô dos meninos tentou salvá-los e sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus em 80% do corpo. Ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Maringá (HUM). Rita Aparecida falou com a imprensa ontem de manhã apesar de bastante abalada. Ela disse que acordou com o barulho de ‘‘coisas estalando’’ dentro da casa e com a fumaça do fogo. ‘‘Eu e o meu pai acordamos juntos, só que eu consegui sair de casa antes para pedir ajuda e ele demorou um pouco mais, porque teve dificuldade de levantar da cama’’, explicou. Ela disse que dormia no mesmo quarto com o filho mais novo José Mateus de Souza, 2 anos, e o sobrinho Alessandro Souza de Araújo, 14. Os outros dois filhos de Rita Aparecida, João Lucas de Souza, 4 anos, e John Maike de Souza, 6, dormiam em outro quarto junto com o avô. ‘‘Acordei assustada e saí para pedir ajuda. Fui nas casas dos vizinhos e liguei para o Corpo de Bombeiros’’, afirmou Rita Aparecida. Ela contou que ao retornar à casa tentou apagar o fogo usando uma mangueira caseira. ‘‘Eu e os vizinhos tentamos derrubar uma parte da casa que ainda estava de pé para retirar as crianças, mas o fogo consumiu tudo em pouco tempo’’, disse. Rita afirmou que antes de sair da casa tentou acordar o sobrinho mas acabou desistindo ao ver o fogo se alastrando. Ela não soube dizer por que não levou com ela o filho que dormia no mesmo quarto. ‘‘Na hora eu fiquei sem saber o que fazer. Só ouvia aquele barulho de tudo pegando fogo e a primeira coisa que me passou pela cabeça foi sair para pedir ajuda.’’ O fogo destruiu totalmente a casa, que era de madeira. O Corpo de Bombeiros, conforme os vizinhos, chegou 15 minutos após a chamada. ‘‘Quando os bombeiros chegaram o fogo já tinha destruído tudo’’, disse o marceneiro Antonio Andreato. Ele é vizinho de Souza e disse que acordou por volta das 3h45 ouvindo barulho e os gritos de socorro. ‘‘Acordei minha mulher e disse para ela ligar para a polícia porque pensei que fosse briga na rua. Quando abri a janela e vi as chamas consumindo a casa do senhor João, saí rápido, pulei o muro e comecei a jogar água com baldes, mas o fogo só cessou com a chegada dos bombeiros’’, disse. Segundo ele, o fogo se alastrou rapidamente. ‘‘Não tinha a menor condição de entrar na casa para salvar as crianças, porque o fogo já estava alto e atingia até o telhado da casa.’’

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